France PresseJiang Zemin é recepcionado por líderes do Congresso americanoDurante um café da manhã a portas fechadas com congressistas norte-americanos dos dois partidos majoritários, o presidente da China, Jiang Zemin, rejeitou ontem o criticismo com relação ao desrespeito aos direitos humanos em seu paísafirmando que ‘‘nunca antes a sociedade chinesa esteve tão próspera e aberta como hoje’’.
De acodo com um legislador que participou do encontro, os deputados criticaram o Estado comunista de promover perseguição religiosa, aborto forçado, abuso na questão dos dissidentes, proliferação nuclear e tráfico de órgãos humanos, entre outros. Em resposta aos congressistas, Zemin afirmou, ainda segundo a fonte: ‘‘Em termos de reforma estrutural, nós iremos expandir a democracia, melhorar o sistema legal’’.
Jiang ouviu também dos legisladores suas dúvidas sobre a promessa de Pequim de não entregar tecnologia nuclear ao Irã. ‘‘É quase impossível para nós melhorarmos as relações com aqueles que ajudam a países como o Ir㒒, disse o presidente dos republicanos no Senado, Trent Lott.
Na reunião de quarta-feira, o presidente Bill Clinton levantou o embargo à empresas dos EUA, imposto há 12 anos, que proibia a venda de tecnologia nuclear à China. Agora, Clinton deve apresentar ao Congresso um voto de confiança à China, para que as vendas, que envolvem bilhões de dólares, sejam retomadas.
Uma série de outros acordos foram acertados durante o encontro de Jiang e Clinton, entre eles a compra pela China de 50 aviões da empresa Boeing - uma transação no valor de US$ 3 bilhões.
Mas foi na questão dos direitos humanos que os dois líderes refletiram as maiores divergências entre os dois países. Clinton disse a Jiang, com diplomacia, que Pequim se mantinha ‘‘à margem da história por abusar dos direitos humanos’’. Por sua vez, o líder chinês declarou estar de acordo em discutir sobre as questões dos direitos humanos, mas ‘‘sem aceitar interferência nenhuma de outros países nos assuntos internos de seu país’’. Falando isso, Jiang defendeu a repressão do Exército chinês à manifestação estudantil na Praça da Paz Celestial, em Pequim, em 1989, e a soberania chinesa sobre Taiwan.
Na quarta-feira à noite, enquanto Clinton oferecia a Jiang e a mais de 200 convidados um jantar na Casa Branca, o ator americano Richard Gere recebia cerca de 300 convidados no Hotel Washington, para o que ele chamou de ‘‘jantar sem Estado’’. Gere, famoso por sua luta pela soberania do Tibet, dedicou o jantar ao 1,2 milhão de chineses e ao Tibet.

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