France PressO presidente chinês saúda populares ao chegar ao aeroporto de Los Angeles na sequência da visita aos EUAO Presidente chinês, Jiang Zemin, em giro pelos Estados Unidos, falou pela primeira vez de ‘‘erros’’ em referência à repressão sangrenta do movimento democrata da Praça da Paz Celestial há oito anos, o que poderia constituir uma mudança radical na posição oficial do regime de Pequim.
‘‘É evidente que, naturalmente, podemos ter falhado e inclusive termos cometido erros’’, declarou Zemin ante os estudantes da universidade de Harvard, em resposta a uma pergunta sobre as razões pelas quais o regime não utilizou meios pacíficos ante o protesto da Primavera de Pequim, em junho de 1989.
Milhares de estudantes o vaiaram em sinal de protesto quando ele chegou ao campus universitário.
Segundo diplomatas ocidentais em Pequim, esta frase quase imperceptível de Jiang foge radicalmente da posição oficial dos dirigentes chineses.
‘‘A palavra ‘erro’ é nova. Os dirigentes chineses só a empregam para designar um período muito remoto, mas nunca a propósito da Paz Celestial’’, estimou um deles.
Segundo vários diplomatas, esta afirmação do Presidente chinês lança a esperança de uma reabilitação das vítimas da Primavera de Pequim. A linha oficial estabelecida já em junho de 1989 pelo patriarca Deng Xiaoping, que agradeceu ao exército por sua intervenção, estabelecia que os manifestantes eram contra-revolucionários, que tantavam derrubar o regime.
Centenas de pessoas - talvez milhares - foram massacradas na repressão das manifestações pacíficas.
A atitude adotada na época por Jiang Zemin é objeto de dúvidas. Ele tem repetido que era então secretário do partido em Xangai, com o que passa a responsabilidade ao atual Primeiro-Ministro, Li Peng. Mas numerosos observadores assinalam que sua carreira nacional havia começado em Pequim antes de sua nomeação oficial como secretário geral do partido, que se produziu precisamente em meio à confusão depois da matança da Praça da Paz Celestial.

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