Zelaya pede que OEA não caia em manobras do interino
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terça-feira, 06 de outubro de 2009
Folhapress 
São Paulo- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediu ontem que a missão de chanceleres de países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) que chega a Tegucigalpa hoje não caia nas ''manobras'' do presidente interino, Roberto Micheletti, para postergar a crise política no país. Essa delegação da OEA acompanhará o diálogo entre as partes envolvidas na crise causada pela deposição de Zelaya, há mais de cem dias.
Uma dessas ''manobras'', segundo Zelaya, foi a revogação, ontem, do decreto que suspendia as garantias constitucionais, após causar ''o maior dano possível'', disse Zelaya, em comunicado. ''Nós advertimos aos chanceleres que nas próximas horas chegarão a nosso país que estejam alertas para não cair nestas manobras, colocando em xeque a alta dignidade dos povos que representam'', disse.
O comunicado acrescenta que ''Roberto Micheletti continua enganando o povo hondurenho ao manifestar que está revogando plenamente o decreto, após conseguir o maior dano possível''. Entre esses ''danos'' estariam a repressão, ''de forma selvagem'', contra protestos pró-Zelaya; e o fechamento de uma TV e uma rádio de mesma orientação.
Outra ação teria sido ''atacar e encarcerar 38 companheiros camponeses que estavam se manifestando nas instalações do Instituto Nacional Agrário e que atualmente se encontram em greve de fome na penitenciária nacional de Honduras''. Conforme o governo interino, a ocupação do prédio do INA era irregular.
No comunicado, Zelaya pediu a reabertura da Rádio Globo e do Canal 36 e a libertação dos camponeses, que considera ''presos políticos''.
Micheletti disse ontem, após anunciar a revogação do decreto, que os meios de comunicação devem ir à Justiça ''para poder resgatar seu direito'' de voltar ao ar.
O texto retoma o argumento zelaysta de que a prorrogação da crise ''põe em perigo o processo eleitoral'' -a votação está marcada para novembro que vem. ''Reafirmamos a firmeza de nossa luta e pedimos ao povo hondurenho que continue em resistência até conseguir que o regime de fato seja derrotado, se retire do poder que usurpou contra a vontade do soberano'', afirmou.


