São Paulo - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, criticou os governos que, segundo ele, apoiam ''manobras'' para ''limpar o golpe de Estado'', referindo-se ao países que reconheceram as eleições de domingo, realizadas cinco meses após a sua deposição.
A reclamação foi feita em uma carta, divulgada ontem, que Zelaya enviou ontem aos líderes do continente americano, à OEA (Organização dos Estados Americanos) às Nações Unidas e à União Europeia (UE).
''Agradeço seu apoio por resgatar a vigência da democracia hondurenha e, da mesma maneira, ratifico minha enérgica reclamação aos governos que se pronunciaram em apoio às manobras para limpar o golpe de Estado, aprovando um processo eleitoral espúrio, que encobre as violações dos direitos humanos e das nossas leis, para deixar impunes seus crimes cometidos'', afirmou.
Em outro discurso, Zelaya apontou os Estados Unidos entre os países que apoiariam o golpe de Estado com suas ''manobras''. Os EUA apoiaram e reconheceram as eleições, argumentando que elas foram justas, tiveram grande participação popular e haviam sido marcadas antes da deposição de Zelaya e já tratam o vencedor da eleição presidencial, Porfirio Lobo, como presidente eleito. Países como Colômbia, Panamá e Costa Rica seguiram o mesmo caminho.
Em sua carta Zelaya, reiterou que, ao ter rejeitado sua restituição na quarta-feira, ''o Congresso Nacional de Honduras ratifica sua coautoria no golpe de Estado militar, ao ratificar o decreto que quebrou a Constituição'' no dia 28 de junho, data em que ele foi deposto e expulso do país.

mockup