Zelaya convoca resistência a governo interino
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
FolhaPresse 
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, convocou ontem a resistência contra o governo interino de Honduras, depois do fechamento de uma rádio e de uma TV ligadas à oposição. Ele cobrou da comunidade internacional medidas mais enérgicas contra o governo liderado por Roberto Micheletti desde sua deposição, há três meses.
''Chamo a resistência às ruas para que exija que os meios de comunicação fechados voltem a funcionar'', afirmou Zelaya na entrevista coletiva que concedeu dentro da embaixada brasileira, onde permanece abrigado desde de seu regresso clandestino ao país, há uma semana. Ele continua a usar o local para mobilizar seus seguidores, apesar de reclamações do governo interino e de pedidos de autoridades diplomáticas brasileiras para que ele contivesse declarações que pudessem aumentar a tensão.
Zelaya reagiu especialmete ao fechamento, na madrugada de segunda-feira, da Rádio Globo e do Canal 36 de televisão, dois meios ligados à oposição e que transmitiam regularmente seus apelos à população. ''Sem os meios de comunicação, o governo não pode realizar eleições'' legítimas, disse Zelaya aos jornalistas reunidos na embaixada do Brasil. ''Caiu a máscara desta ditadura e já não podem negar''.
O presidente deposto citou como exemplo as eleições realizadas recentemente no Afeganistão, sobre a qual pesam inúmeras denúncias de fraudes. ''Com a supressão dos meios opositores, sem liberdade de participação igualitária e com repressão, acredito que as eleições estão conduzindo a uma crise maior, a menos que queiram eleições como as do Afeganistão'', ironizou.
Zelaya também denunciou a repressão policial e militar ocorrida durante os três meses seguintes à sua deposição e disse que o número de mortos em protestos é muito maior que os divulgados até agora. ''Há uma centena de mortos, mas eles contabilizam só dez. O povo hondurenho continua somando os mortos'', enfatizou.
Em entrevista ao canal estatal venezuelano Telesur, Zelaya, cobrou uma ação mais determinada da Organização das Nações Unidas (ONU), sobretudo no âmbito comercial. ''Se for fechada apenas esta válvula, este golpe se reverterá em 24 horas'', assegurou.


