O rebelde Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) rejeitou novamente ontem um convite do presidente Vicente Fox para iniciar conversações de paz, e afirmou que pretende retornar aos seus redutos na selva do sul do México.
‘‘Não podemos iniciar o diálogo com o governo’’, disse o comandante Zebedeo em entrevista concedida ontem à imprensa na Cidade do México, alegando que o governo mexicano ainda não cumpriu todas as condições impostas pelos rebeldes para dialogar.
Os zapatistas planejavam em seguida protestar diante do Congresso, exigindo uma lei que modifique a Constituição para dar às comunidades indígenas maior autonomia política e direitos culturais.
Este protesto seria a última manifestação planejada pelo EZLN na capital mexicana, antes de seus representantes regressarem, hoje, ao Estado de Chiapas, no sudeste do país, decepcionando funcionários do governo que planejavam prosseguir com o diálogo na capital até a obtenção da paz.
Após uma marcha em direção à capital iniciada em 24 de fevereiro, os 24 líderes zapatistas haviam prometido permanecer na Cidade do México até que a lei sobre os direitos indígenas fosse aprovada; mas no início desta semana, frustrados porque o Congresso não os autorizou a falar da tribuna de honra da Câmara dos Deputados, os rebeldes anunciaram sua partida.
Zebedeo disse que Fox não havia cumprido as três condições para o início do diálogo: o fechamento de sete bases militares, a libertação dos zapatistas presos e a aprovação da lei sobre direitos indígenas.
Fox, no entanto, já fechou quatro bases e anunciou na quarta-feira que transformaria as outras três em centros comunitários para indígenas, embora as tropas continuassem nelas aquarteladas até aquele dia.
‘‘Por muitos anos nos enganaram com falsas palavras’’, disse Zebedeo, ‘‘por isso não confiamos em palavras e sim em atos.’’

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