Zapatistas negociam direitos
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segunda-feira, 12 de março de 2001
Associated Press Da Cidade do México 
Após sua triunfal chegada à Cidade do México, a caravana dos rebeldes zapatistas, acantonada nas sedes das universidades locais, busca obter apoio dos congressistas para a Lei de Direitos e Cultura Indígena. Ontem, eles se reuniram à tarde com os membros da Comissão de Concórdia e Pacificação (Cocopa) do Congresso para discutir detalhes sobre a lei, redigida como resultado de um acordo obtido em 1996 entre o governo e o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), mas que não foi aprovada pelo Legislativo.
O diálogo já começou, segundo informou o senador Rutilio Escandón à rede Televisa, referindo-se às conversações informais da semana passada entre legisladores e um representante zapatista. Escandón acrescentou que algumas modificações terão de ser feitas para melhorar o projeto de lei, e que os congressistas não se dispõem a aprovar exceções ou privilégios especiais (para os indígenas).
Em 1996, os zapatistas se retiraram das conversações de paz depois que a proposta de lei por eles aprovada foi rejeitada pelo então presidente Ernesto Zedillo que alegou que a proposta submetida ao Congresso tinha ido além do acordo acertado nas conversações e que seus termos eram confusos o que poderia colocar em perigo a soberania e a unidade do México.
Após tomar posse em dezembro de 2001, o presidente Vicente Fox enviou a proposta de lei ao Legislativo.
Ao mesmo tempo que se iniciam as conversações entre os líderes do EZLN e os membros do Cocopa, a marcha zapatista já provocou em todo o país o que a imprensa apelidou de zapatomania.
Uma indicação de sua entrada na sociedade de consumo é o alto nível de demanda dos lenços usados pelos dirigentes zapatistas para proteger o rosto chamados pasamontañas , e os fabricantes e comerciantes têm dificuldades em atender a todos os potenciais compradores do produto. Também se popularizou o cachimbo usado pelo subcomandante Marcos.
Além disso, há toda uma parafernália de objetos de culto que cerca os zapatistas, e que são comercializados em todos os atos de que eles participam. Entre eles, estão as muñequitas chamulas, que representam indígenas com o rosto coberto por um lenço, e os adesivos que exibem os olhos do porta-voz rebelde e onde se lê a frase: Marcos somos todos.


