Os dirigentes zapatistas anunciaram ontem, perante o Congresso mexicano, sua disposição para ‘‘conseguir o mais rápido possível’’ as condições de reiniciar formalmente o diálogo com o governo, através de seu braço político e o comissário presidencial para a paz.
‘‘Desta forma, deixamos clara nossa disposição para o diálogo, a construção de acordos e a conquista da paz’’, afirmou a comandante Esther, em um histórico discurso na tribuna da Câmara dos Deputados – até então reservada apenas a ministros, legisladores e chefes de Estado.
O grande ausente no recinto da Câmara foi o subcomandante Marcos, porta-voz e estrategista dos rebeldes. Ao explicaar sua ausência, a dirigente guerrilheira disse que o subcomandante ‘‘tinha por missão trazer-nos a esta tribuna’’.
O discurso foi o ponto culminante da presença do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) na capital mexicana, onde chegaram ao lugar de honra do Congresso sete anos após terem iniciado, em 1º de janeiro de 1994, um levante no Estado de Chiapas em defesa dos direitos indígenas.
Diante de personalidades como o dirigente do opositor Partido da Revolução Democrática (PRD), Cuauhtémoc Cárdenas; o chefe de governo da capital, Andrés López Obrador; e convidados indígenas estrangeiros, a comandante Esther anunciou também que a guerrilha não avançará militarmente sobre as sete posições abandonadas pelo Exército em Chiapas.
‘‘A um sinal de paz não responderemos com outro de guerra’’, disse a comandante, com o rosto coberto com um lenço negro – o ‘‘pasamontañas’’ – e vestida em trajes tradicionais.
Para reiniciar o diálogo com o governo, interrompido em setembro de 1996, a guerilha exige três condições: a retirada do Exército de sete posições-chave nos bastiões rebeldes (exigência já cumprida), a libertação de todos os zapatistas presos (quase todos já foram libertados) e a aprovação da Lei de Direitos e Cultura Indígena, que o Congresso começará a discutir.

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