Zapatero promete retorno das tropas no Iraque
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segunda-feira, 15 de março de 2004
Claudia Rahola<br>France Presse 
Madri - Poucas horas depois de sua vitória numa virada eleitoral sem precedentes na Espanha, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero prometeu ontem que as tropas mobilizadas no Iraque vão retornar para casa e que seu governo reconstruirá a ''ponte de diálogo'' com a América Latina.
A inesperada vitória do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) nas eleições gerais de domingo ocorreu após a péssima gestão do Governo conservador de José María Aznar nas investigações do massacre de 11 de março em Madri (11-M), reivindicado pela rede terrorista Al-Qaeda.
Desde as primeiras horas de ontem, Zapatero, 43 anos, começou a trabalhar e reafirmou uma de suas promessas de campanha: o regresso dos 1,3 mil soldados espanhóis que integram a força internacional dirigida pelos Estados Unidos no Iraque se a ONU não assumir o controle da situação antes da data prevista para a transferência da soberania aos iraquianos.
''Se não houver uma mudança na qual a ONU assuma a situação, as tropas espanholas regressarão e a data-limite é o dia 30 de junho'', declarou Zapatero em sua primeira entrevista à imprensa, apesar de ter anunciado que não faria nada antes de sua posse, prevista para 2 de abril.
O apoio do governo de Aznar à administração do presidente americano George W. Bush na invasão do Iraque foi a razão apontada pela Al-Qaeda em sua reivindicação dos atentados de 11-M, que deixaram 200 mortos e cerca de 1,5 mil feridos. A conexão islâmica foi ganhando força enquanto o governo seguia insistindo na pista do grupo separatista armado basco ETA, a quem responsabilizou logo após os atentados.
Contra todo prognóstico, o PSOE ganhou as eleições gerais do domingo, as nonas desde o restabelecimento da democracia, com o 42,64% dos votos sobre os 37,64% do Partido Popular (PP, direita), que governava desde 1996, os últimos quatro anos com uma maioria absoluta de 183 cadeiras que lhe permitiu governar sozinho.
Com 164 das 350 cadeiras no Congresso dos Deputados, o PSOE obteve 39 a mais do que na legislatura anterior e os socialistas têm uma maioria suficiente para governar apenas com apoios externos pontuais. Zapatero é o primeiro candidato que chega à presidência do Governo na primeira tentativa, e isso com o apoio de quase 11 milhões de espanhóis, o que também constitui um recorde na Espanha democrática.
Em meio das aclamações de seus seguidores na sede socialista madrilenha, o primeiro pensamento do futuro chefe de Governo espanhol foi para as vítimas dos atentados do 11-M para quem pediu um minuto de silêncio. Pouco depois anunciou que sua ''prioridade'' será lutar contra o terrorismo.
Zapatero lançou também uma advertência ao presidente dos Estados Unidos, o republicano George W. Bush, cuja reeleição estará em jogo em novembro. ''Minha impressão é que o que vai acontecer após a posse do governo socialista na Espanha vai ter também um grande impacto nas eleições dos Estados Unidos entre Bush e (John) Kerry'', afirmou Zapatero numa referência a uma possível vitória do candidato democrata.


