KINSHASA - As forças governamentais zairenses recuam na zona oriental do país, pressionadas pelos rebeldes tutsis que vêm do sul e pelo exército de Uganda que ataca pelo flanco leste. O primeiro-ministro do Zaire, Kengo wa Dondo, pediu ontem a mobilização rápida no leste do país da força multinacional, que está desembarcando no aeroporto ugandense de Enntebbe.
Dondo, que está em Brazzaville para uma reunião do comitê consultivo da ONU sobre a crise na região dos Grandes Lagos, alegou, para justificar sua pressa, que restam, segundo ele, um milhão de refugiados ruandeses nessa parte de seu país. Além disso, denunciou a mal encoberta cobiça dos países limítrofes com o leste de Zaire pelas riquezas de seu subsolo, especialmente em petróleo.
Analistas políticos em Kinshasa afirmam que ‘‘a implosão do Zaire está em marcha’’. Os rebeldes de maioria tutsis de Laurent Desiré Kabila parecem ter-se apoderado de Kindu e Bunia, num raio de 400 km de Goma, a capital de Kivu norte.
Depois de tomar Uvira no final de outubro, perto da fronteira burundinesa, e Bukavu, a capital de Kivu sul, a rebelião, cada vez melhor estruturada, prossegue para o norte e o oeste e recruta novos membros no caminho.
O governo zairenze acusa Ruanda e Uganda de sustentar, armar e controlar a rebelião. Os ugandenses fazem incursões no Zaire desde a semana passada.

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