Yeltsin pede arrependimento a russos
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sexta-feira, 17 de julho de 1998
France Presse 
O presidente Boris Yeltsin prestou homenagem ontem ao czar Nicolau II, fuzilado em 1918 pelos bolcheviques, e convidou seus compatriotas ao arrependimento para fechar definitivamente um século sangrento na Rússia.
Yeltsin falou durante a missa de réquiem celebrada na catedral-fortaleza Pedro e Paulo de São Petersburgo, às margens do rio Neva, pouco antes de os restos do czar e de seus familiares serem sepultados.
O presidente ficou em frente aos nove ataúdes com os restos do czar e de sua família para reverenciar as vítimas deste crime impiedoso.
Yeltsin decidiu de última hora participar nesta cerimônia, boicotada pelo patriarca da igreja ortodoxa, Alexis II, que duvida da autenticidade dos restos trazidos de Ekaterinburgo (ex-Sverdlovsk, Urais), onde os Romanov foram executados no dia 17 de julho de 1918.
Os ataúdes continham os restos do czar, de sua esposa Alexandra Fedorovna, de suas filhas Olga, Tatiana e Anastasia, do médico da família e de três serventes.
Temos que fechar este século, que para a Rússia foi sangrento, com o arrependimento, declarou o presidente ante uns 60 descendentes dos Romanov vindos do mundo inteiro.
Ao devolver à terra os corpos destes inocentes, queremos expiar o pecado que representou esse gesto, de uma crueldade insensata. Trata-se de um ato de justiça humana, o símbolo da união do povo, da expiação de suas faltas. Somos todos responsáveis, declarou o chefe de Estado.
Devemos fazê-lo em nome das gerações atuais e futuras. Inclino-me ante as vítimas deste crime impiedoso, acrescentou Yeltsin. E concluiu: Não podia deixar de comparecer. Como homem e como presidente, tinha de estar aqui.
Quinta-feira, a mudança de atitude do presidente havia surpreendido, mas Yeltsin foi rapidamente seguido pelo Conselho da Federação (câmara alta do Parlamento), que decidiu enviar uma delegação oficial.
O presidente, acompanhado de sua esposa Naina, chegou ao meio-dia local à catedral onde estão os restos dos czares russos desde Pedro o Grande.
Junto a Yeltsin estava o vice-primeiro-ministro Boris Nemtsov, presidente da comissão de autentificação dos restos, cujas conclusões foram questionadas pela igreja ortodoxa.
O maestro e violoncelista Mstislav Rostropovitch também esteve na missa, celebrada por um sacerdote ao ritmo solene dos corais ortodoxos.
No lado de fora da catedral, onde só foram admitidos 200 convidados, um telão mostrava a cerimônia. O público só terá acesso à catedral hoje.
Um grande esquema de segurança foi montado para o evento, com a mobilização de 1.200 policiais das forças especiais e patrulhas de lanchas pelo rio Neva. Um cordão de isolamento rodeava a fortaleza Pedro e Paulo, que era sobrevoada por um helicóptero.


