MOSCOU - O Partido Comunista russo apresentou ontem, para ser debatido na Câmara Baixa do Parlamento, a Duma, um projeto visando destituir o presidente Bóris Yeltsin por ‘‘incapacidade persistente’’ de cumprir suas funções, em virtude de problemas físicos. Desde julho, o presidente praticamente não governa, invariavelmente recolhido ao hospital, a uma casa de repouso, ou à sua casa de campo perto de Moscou. Ontem, médicos do Kremlim informaram que as condições de saúde do presidente, que deixou o hospital segunda-feira, são ‘‘completamente satisfatórias’’.
De acordo com porta-vozes oficiais, Yeltsin fez ontem sua primeira caminhada pelos jardins de sua residência Gorki-9 e trabalhou várias horas em documentos e papéis do governo. O presidente também conversou com assessores do governo por telefone e corrigiu vários documentos.
A Constituição russa determina a destituição do presidente por crime grave, traição ao país ou ‘‘persistente incapacidade para exercer seu poderes por razões de saúde’’. O problema é que o texto constitucional não esclarece quem determina se há uma ‘‘persistente incapacidade’’.
Mesmo sabendo que não tem base constitucional para pedir a saída de Yeltsin, dirigentes comunistas não desistirão do projeto. O vice-presidente da Duma, Mikhail Guzeriev, qualificou o projeto elaborado por deputados do PC de ‘‘estupidez’’. Guzeriev lembrou que Yeltsin foi eleito pelo povo e que ‘‘não está paralítico’’.
A imprensa russa, que apoiou abertamente o presidente quando este tentava reeleger-se, passou a tratar Yeltsin agora como um homem doente, que já não conta mais no cenário político. Os jornais dão muito espaço aos ataques da oposição e aos candidatos potenciais à sucessão.

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