Associated Press
De Grozny
Mesmo com o alto comando militar russo admitindo que está mais difícil vencer os rebeldes chechenos do que imaginavam, o presidente Boris Yeltsin já considera a guerra ganha e, por isso, condecorou ontem os generais que estão chefiando a ofensiva na república separatista da Chechênia. Yeltsin concedeu a medalha de Herói da Rússia - a mais alta distinção do país - aos generais Viktor Kazantsev, Gennady Troshev, Vladimir Shamanov e Valentin Korabelnikov.
‘‘Pela primeira vez há tantos militares entre os condecorados e isso ocorre porque o Exército conquistou esse direito’’, afirmou Yeltsin. Ele fez uma breve menção aos ‘‘pequenos erros do passado’’ que levaram a ‘‘grandes erros’’ - referência à primeira guerra na Chechênia, de 1994 a 1996, na qual os russos sofreram uma humilhante derrota. Desta vez, disse o presidente russo, a campanha ‘‘foi’’ impecável.
No campo de batalha, a vitória ainda pertence ao futuro e não parece estar tão próxima. Os combates continuam encarniçados na região montanhosa no sul do território e na capital, Grozny, e as forças chechenas negam que tenham perdido o controle da maior parte da cidade, como anunciaram ontem os militares russos.
O ministro da Defesa, Igor Sergeyev, reconheceu que os rebeldes impõem feroz resistência, mas assegurou que o Exército russo e as milícias chechenas pró-Moscou haviam chegado a um momento decisivo, tendo ocupado bairros de Grozny. O correspondente da agência Associated Press na região diz não haver muitos indícios de que as tropas russas estejam para tomar a cidade.
Os rebeldes mantêm-se em suas posições fortificadas, minaram totalmente todos bairros e encheram trincheiras de petróleo, no qual põem fogo para criar nuvens espessas de fumaça. Apesar das evidências indicarem que a luta é árdua, o alto comando militar garantiu que as tropas avançaram de todas as direções para o centro, do qual estariam a apenas dois quilômetros.
‘‘A queda da cidade pode ocorrer amanhã ou depois de amanhã. Ou talvez levar cinco, seis ou sete dias. Mas é questão de dias, não de semanas ou meses’’, garantiu o general Valeri Manilov, vice-chefe do Estado-Maior. Ele negou que a aviação russa tenha destruído o QG do presidente checheno, Aslan Maskhadov.
As forças chechenas admitem, contudo, que estão tendo dificuldade para obter suprimentos de munição por causa do bloqueio russo na região montanhosa do sul, de onde se abastecem através da fronteira com a ex-república soviética da Geórgia.
As tropas federais já controlam todo o norte da Chechênia, toda a região central e as principais cidades, com exceção de Grozny. A ofensiva da Rússia começou há três meses, depois que rebeldes muçulmanos invadiram a vizinha república russa do Daguestão com o objetivo de ali criar um Estado islâmico.
Na mesma época, uma série de atentados a bomba causou a morte de quase 300 pessoas na Rússia. O Kremlin responsabilizou os rebeldes chechenos pelas ações terroristas e enviou tropas para a Chechênia.

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