Yeltsin indica Primakov e supera crise
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Reuters 
O presidente russo, Boris Yeltsin, pôs fim ontem a três semanas de embates com o Parlamento nomeando para o cargo de primeiro-ministro o chanceler Yevgeny Primakov, que obteve a imediata aprovação da grande maioria dos deputados. A Câmara Baixa do Parlamento russo (a Duma) marcou para hoje a votação sobre a indicação e a expectativa é que seu nome seja confirmado tranquilamente, uma vez que apenas o líder ultranacionalista Vladimir Jirnovski, cujo partido tem 50 deputados, declarou seu voto contrário.
O Partido Comunista e seus aliados - o Partido Agrário e o Partido do Povo, detentores de quase metade das 450 cadeiras na Duma - e o liberal Yabloko haviam sugerido o nome de Primakov para primeiro-ministro e, portanto, já anunciaram seu apoio à candidatura.
Yeltsin havia designado no dia 23 Viktor Chernomyrdin para o cargo de primeiro-ministro - o qual ele ocupara de 1992 a março deste ano -, mas a oposição comunista-nacionalista na Duma vetou por duas vezes sua nomeação e ameaçou votar novamente contra ele, caso Yeltsin reapresentasse sua candidatura.
O próprio Chernomyrdin comunicou à imprensa e depois à população, em pronunciamento televisionado, sua desistência da candidatura, ressaltando que a iniciativa havia sido sua porque não queria aumentar as tensões sociais num momento de aguda crise no país.
Ele disse ter sugerido a Yeltsin o nome de Primakov, depois confirmado pelo Kremlin, em carta enviada à Duma. Ele é um democrata, um profissional e bem conhecido no cenário internacional, afirmou Chernomyrdin, que voltou a acusar a esquerda de tentar aproveitar-se do desastre econômico do país para buscar restaurar seu poder.
A agência russa Itar-Tass informou que Primakov declarou que pretende continuar com as reformnas políticas e econômicas. Em telefonema ao chanceler alemão Helmut Kohl, Yeltsin também fez declaração semelhante.
Ex-espião soviético, Primakov tem vasta experiência na política internacional, é admirado pelos nacionalistas, não demonstra ambições presidenciais - o que teria sido um dos motivos da destituição de Chernomyrdin, em março - e é a favor da economia de mercado.
Ele não deu declarações ontem sobre seus planos de governo, mas a Reuters lembrou ontem que em um discurso em junho, em Londres, ele afirmou que a Rússia se concentrou demais na estabilização financeira e não no crescimento econômico. E disse que o país deveria tomar lições do New Deal, programa adotado pelos Estados Unidos durante a depressão dos anos 30.
A nomeação foi bem recebida por Washington.


