A tentativa do Partido Comunista e de seus aliados de iniciar um processo de impeachment na Duma (câmara baixa do parlamento russo) contra o presidente Boris Yeltsin fracassou ontem.
Nenhuma das acusações apresentadas contra ele obteve o número de votos necessários para desencadear o ritual legislativo da destituição do presidente, que, durante a votação, submeteu-se a uma bateria de exames médicos num hospital militar da capital russa.
O malogro da iniciativa do PC está sendo atribuído pelos analistas políticos locais ao resultado de uma opção dos legisladores russos que, na última hora, decidiram não enfrentar Yeltsin, que domina o cenário político russo desde a derrocada da antiga União Soviética.
Depois de três dias de acalorados debates, entremeados de ameaças e ofensas entre os partidários e opositores, nenhuma das cinco acusações contra o mandatário russo - destruição da União Soviética, dissolução ilegal do Parlamento em 1993, ‘‘genocídio’’ da população ao adotar uma política desastrosa, que destruiu a economia e o sistema social, deflagrar a desasatrosa guerra contra a Chechênia e debilitar as forças armadas devido aos cortes de efetivos e financiamento - prosperou.
A votação foi uma clara vitória de Yeltsin, mas não representa o fim de suas dificuldades nem dos graves problemas econômicos e sociais enfrentados pelo país. Yeltsin está diante de uma nova e difícil batalha com a Duma, já na semana que se inicia. Ele terá de fazer novas concessões aos comunistas para obter a aprovação do nome de Stepashin. Os comunistas ficaram profundamente indignados com a decisão do presidente de destituir, esta semana, Yevgeny Primakov da chefia do governo.

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