Superada a ameaça do processo de destituição pelos parlamentares, o presidente russo, Boris Yeltsin, prepara sua segunda grande investida dos últimos dias na Duma, a câmara baixa do Parlamento, para conseguir a ratificação de Sergei Stepashin como novo primeiro-ministro.
No sábado, a oposição não conseguiu reunir o mínimo de dois terços da Duma (300 dos 450 deputados) para levar adiante nenhuma das cinco acusações que poderiam causar o impeachment de Yeltsin.
O presidente russo foi acusado de causar a desintegração da União Soviética, bombardear o Parlamento em 1993, desmantelar o Exército, causar o genocídio do povo em consequência de sua política econômica e desencadear o conflito na Chechênia.
Essa última acusação reuniu o maior número de votos em favor da destituição, 283 - 17 a menos do mínimo necessário para condenar Yeltsin.
‘‘A complexa crise política que o país poderia estar vivendo hoje foi superada’’, disse Stepashin, primeiro-ministro em exercício, que se reuniu ontem com líderes parlamentares.
Stepashin, que tem na absoluta lealdade a Yeltsin uma de suas principais características, foi um dos generais que convenceu o presidente a iniciar a guerra na Chechênia.
Sua reputação de integrante da linha dura pode atrair a simpatia da Duma, dominada por comunistas e nacionalistas. Para ser confirmado no cargo, Stepashin precisa da aprovação da maioria simples da Casa.
As agências Itar-Tass e Interfax informaram que, caso a indicação seja confirmada, Stepashin nomeará Alexander Zhukov, um economista de 42 anos formado em Harvard, para o novo cargo de vice-primeiro-ministro para Assuntos Financeiros e Econômicos.
Integrante do grupo de tecnocratas conhecido como ‘‘jovens reformistas’’, Zhukov é o atual presidente da Comissão de Orçamento da Duma.

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