Associated Press
O presidente russo Boris Yeltsin endossou o plano de paz para Kosovo alcançado nesta terça-feira que coloca a Otan no centro de uma força de paz, mas deixou claro seu desgosto com a campanha de bombardeio da aliança. O plano não é claro em um ponto-chave de contenção para Moscou: o papel da Rússia na operação de paz.
Yeltsin esteve notavelmente silencioso nos últimos dias sobre os esforços de paz para a Iugoslávia, nos quais seu enviado Viktor Chernomyrdin desempenhou um papel substancial. Muitos russos criticaram Chernormyrdin por supostamente ter se curvado às exigências da Otan e traído a Iugoslávia, um aliado russo.
Falando por telefone ontem com o presidente norte-americano Bill Clinton, Yeltsin ‘‘expressou satisfação com o esboço’’ da resolução, informou o serviço de imprensa do Kremlin.
Mas, Yeltsin continuou a insistir numa imediata suspensão dos bombardeios da Otan contra a Iugoslávia, pedindo a Clinton para ‘‘tomar medidas urgentes’’ para pará-los. O serviço de imprensa do Kremlin não deu outros detalhes da conversa.
A Rússia gostaria que as Nações Unidas - onde Moscou tem considerável peso - liderassem as forças de paz, ao invés da Otan. A Rússia insiste que seu contingente não ficará sob o comando da Otan.
O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, James Rubin, disse que o plano confirmou que a Otan será o núcleo da força, que deve contar com 50 mil homens.
Mas Chernomyrdin, cujos esforços diplomáticos ajudaram a colocar a Otan e a Iugoslávia à beira do acordo, afirmou ontem que os soldados de paz da Rússia estarão sob comando russo.
‘‘As decisões políticas foram efetivamente tomadas... e os militares irão alcançar um acordo rapidamente’’, afirmou ele numa entrevista coletiva.
O ministro de Defesa da Rússia, Igor Sergeyev, também disse que o contingente russo não estará subordinado à Otan. Ele afirmou que a participação russa pode chegar a 10 mil homens.
Mais cedo ontem, Yeltsin disse que a campanha aérea da Otan havia ‘‘pisoteado as fundações da lei internacional e da Carta da ONU’’.
‘‘A agressão contra a soberana Iugoslávia fez deteriorar seriamente o clima internacional’’, afirmou Yeltsin. ‘‘O mundo tem visto outra tentativa de se estabelecer a ditadura da força. A Rússia rejeita resolutamente tal comportamento’’.

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