Yasser Arafat ordena fim dos disparos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de novembro de 2000
France Presse e Associated Press De Gaza 
O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, ordenou ontem o fim dos disparos contra objetivos israelenses dos setores sob seu controle, assim como das áreas habitadas no conjunto dos territórios palestinos, informou um alto dirigente palestino.
A decisão foi tomada pelo Alto Conselho Palestino para a Segurança, um órgão encarregado das questões de segurança e presidido por Arafat, durante uma reunião em Gaza, informou este dirigente, que pediu o anonimato.
O Conselho ordenou aos atiradores desconhecidos que não disparem das zonas A nem das zonas habitadas e dos edifícios civis em todos os territórios palestinos.
As áreas denominadas A são as da Cisjordânia e da Faixa de Gaza inteiramente controladas pela Autoridade Palestina de Arafat.
A referência aos atiradores desconhecidos se explica pelo fato de que a Autoridade Palestina sempre afirmou não exercer o mínimo controle sobre os palestinos que disparam periodicamente contra objetivos israelenses e que atuariam por sua própria iniciativa.
Um palestino foi morto ontem à noite por disparos de soldados israelenses em Kalkiliya, norte da Cisjordânia, segundo fontes médicas.
Com a morte de Ibrahim Juheidi, de 15 anos, que recebeu dois tiros no peito durante confrontos com soldados israelenses, chegou a oito palestinos mortos ontem em circunstâncias semelhantes.
Agora, já são 231 os mortos desde o começo da rebelião nos territórios palestinos, dia 28 de setembro, em sua maioria palestinos.
Horas antes, um palestino morreu em Jenín, outro em Hebrón, um em Jericó, dois em Tulkarem (Cisjordânia) e dois em Karni, ponto de passagem de Gaza e Israel.
A facção Fatah, à qual é ligada o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, pediu a expulsão dos israelenses da Cisjordânia e da Faixa de Gaza no aniversário da declaração de Algiers, de 1988, para que seja criado o estado palestino. O exército israelense levou a reivindicação a sério e suas tropas estão em estado de alerta, segundo divulgou uma rádio israelense.
Os palestinos comemoraram ontem o aniversário de sua simbólica declaração de independência com os funerais de mais três adolescentes mortos por soldados israelenses, após sete semanas de violência.
O primeiro-ministro Ehud Barak antecipou sua volta dos Estados Unidos após ser informado da morte de quatro jovens israelenses em emboscadas, que colocaram o exército em alerta por acreditar que os palestinos venham a adotar uma estratégia mais violenta.


