Yasser Arafat muda governo e prende extremista
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domingo, 09 de junho de 2002
Agência Folha 
Ramallah, Cisjordânia - A Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida por Yasser Arafat, anunciou ontem uma redução de seu gabinete de 31 para 21 ministros, o que pode abrir caminho para uma ampla reforma de seu governo, como cobram Israel e EUA.
A ANP anunciou ainda a prisão em Gaza de líder do grupo extremista Jihad Islâmico, que reivindicou atentado suicida na quarta passada que matou 17 israelenses.
Já o premiê de Israel, Ariel Sharon, que se reúne hoje com o presidente George W. Bush em Washington, disse, em artigo publicado ontem no jornal The New York Times, que não aceita uma retirada total dos territórios palestinos tomados na guerra árabe-israelense de 1967 e que negociações de paz só poderão ser retomadas após o fim dos atentados palestinos.
A principal novidade do gabinete palestino é a nomeação de um novo ministro do Interior, Abdel-Razzaq al-Yahya, que irá supervisionar a reforma nos serviços de segurança palestinos. Eles seriam reduzidos para três. Atualmente existem pelo menos nove. O cargo era antes ocupado pelo próprio Arafat.
A reforma no aparato de segurança é vista por EUA e Israel como essencial para combater os grupos extremistas que cometem atentados contra civis israelenses.
O novo gabinete, com cinco novos nomes e várias pastas fundidas, reúne-se hoje. A ANP prometeu ainda eleições presidenciais e legislativas para janeiro do ano que vem.
O grupo extremista islâmico Hamas condenou o novo gabinete, dizendo que é um produto da intervenção dos EUA e que não reduzirá a corrupção. Hamas e Jihad Islâmico recusaram oferta de entrarem no governo palestino.
Israel reagiu friamente às mudanças anunciadas.
Nos EUA Sharon terá seu sexto encontro com Bush desde que o premiê tomou posse, em março de 2001. O americano se recusa a receber Arafat e critica sua atuação contra os terroristas frequentemente.
Israel não voltará às fronteiras vulneráveis do armistício de 1967, não fará uma nova divisão de Jerusalém nem cederá seu direito de ter fronteiras defensáveis, escreveu Sharon no Times. Mas disse que, antes de qualquer negociação, Israel deve derrotar o terrorismo e não pode negociar sob fogo, alusão à revolta palestina iniciada em setembro de 2000.
Os palestinos querem criar um Estado na Cisjordânia e na faixa de Gaza com capital em Jerusalém Oriental, todas tomadas em 1967.
Prisão Os combates seguiram no final de semana. Ao menos três israelenses e sete palestinos foram mortos em ataques palestinos e incursões israelenses nos territórios ocupados.
A polícia palestina anunciou a prisão ontem do líder do Jihad Islâmico nos territórios ocupados, Abdallah Shami, no que o grupo chamou de prisão ilegal. Outros 14 membros do grupo extremista foram presos ontem.
Após o atentado com carro-bomba na quarta, Israel reocupou por seis horas parte do QG de Arafat em Ramallah, destruindo várias instalações e danificando o quarto do presidente da ANP.
Explosão Mais de 30 palestinos ficaram feridos na noite de ontem após a explosão de um foguete no acampamento de refugiados de Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, informaram fontes médicas locais.


