Yasser Arafat está clinicamente morto
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quinta-feira, 04 de novembro de 2004
France Presse 
Paris - O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, está em estado de morte cerebral, anunciou ontem uma fonte médica.''Tecnicamente, Arafat não está morto'', ressaltou, pedindo anonimato.
No entanto, a mesma fonte acrescentou que não qualquer esperança de que o líder árabe possa sair do estado vegetativo e recuperar suas funções sanguíneas normais, assim como voltar a respirar sem auxílio de máquinas. ''A assistência artificial pode estender a vida de Arafat por vários dias ou mesmo semanas'', completou.
A morte do líder árabe chegou a ser confirmada pelo primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, mas foi logo desmentida pelo porta-voz militar francês no hospital Percy próximo a París, onde permanece internado Arafat. Momentos depois, o primeiro-ministro de Luxemburgo, segundo um de seus colaboradores, reconheceu que tinha informado precipitadamente a morte do líder palestino.
O diagnóstico de morte cerebral ou encefálica é um procedimento médico que antecede a declaração de falecimento de um indivíduo, cujas constantes vitais podem se manter artificialmente em reanimação. Segundo uma fonte médica francesa, o líder palestino, Yasser Arafat, 75 anos, estava com ''morte cerebral'' e em ''estado de coma profundo em estágio IV'', na noite de ontem.
Este conceito de morte encefálica geralmente é usado antes da retirada dos órgãos de um paciente que está em reanimação. Declarar que uma pessoa está com morte cerebral significa dizer que ela está clinicamente morta.
Entre os critérios que permitem constatar a morte irreversível do cérebro estão os eletroencefalogramas com quatro horas de intervalo e/ou uma arteriografia que comprove a ausência de perfusão sanguínea no cérebro.
Além disso, há uma série de requisitos: perda da consciência e de atividade espontânea, desaparecimento de todos os reflexos cerebrais (as pupilas param de reagir aos estímulos de luz e, quando a córnea é tocada, as pálpebras não se fecham) e ausência de respiração natural.
Os reanimadores consideram o histórico médico do paciente na hora de fazer as interpretações, principalmente se ele ingeriu medicamentos que afetem o sistema nervoso central ou se ele apresenta quadros de hipotermia (temperatura baixa). O termo morte cerebral ou, segundo especialistas, seu equivalente ''coma profundo em estágio IV'', só é usado após a reanimação. As máquinas e a respiração assistida podem manter a pessoa aparentemente viva.


