Xiitas recordam morte violenta do imã Hussein
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
Das agências 
Beirute - Milhares de xiitas desfilaram ontem por um subúrbio do sul de Beirute, convocados pelo Hezbollah libanês, e proclamaram sua fidelidade ao profeta Maomé, objeto de charges consideradas ofensivas. ''Estamos a teu serviço, profeta Maomé, enviado de Deus'', gritavam milhares de homens e mulheres, entre os quais numerosos jovens, vestidos de negro e reunidos nas redondezas de Beirute para comemorar o luto xiita da Ashura.
As inscrições ''A nação do profeta não aceita as ofensas'' e ''O que haverá depois dos insultos?'' podiam ser lidas nos cartazes carregados pelos peregrinos.
A Ashura é um ritual observado por milhões de xiitas para recordar a violenta morte de Hussein, seu imã mais venerado. Comemorada no décimo dia do mês muçulmano de Moharram, é o ponto culminante do luto xiita que, todos os anos, revive de forma passional a violenta morte, em Kerbala, do imã Hussein, neto do profeta Maomé, morto em 680 pelos homens do califa sunita Jazid. A tradição conta que Hussein foi decapitado e seu corpo mutilado.
Os fiéis celebram com exaltação o ''martírio'' de seu imã, no dia mais sagrado para os xiitas, batendo com a mão no peito e, às vezes, se açoitando com correntes, enquanto as crianças gritam ''Oh, Hussein''. Tomados por um sentimento de culpa, muitos se flagelam, batendo na cabeça com facões.
Um conflito político-religioso opôs os xiitas e os sunitas pela sucessão do profeta depois do assassinato de Ali, o quarto califa do Islã. Os xiitas acreditam, ao contrário dos sunitas, que a sucessão é assegurada pela descendência.
Também no Paquistão, um atentado suicida contra uma procissão xiita matou ontem ao menos 27 pessoas.
Já o ''The New York Times'' publicou que uma reunião da Organização da Conferência Islâmica (OCI) na Arábia Saudita em dezembro último foi o ponto de partida para a reação do mundo islâmico às caricaturas do profeta Maomé publicadas por um jornal da Dinamarca no ano passado.
De acordo com o jornal americano, no encontro realizado na cidade sagrada de Meca, líderes de 57 países muçulmanos discutiram o extremismo religioso, mas também as charges que foram posteriormente republicadas em vários veículos europeus em nome da liberdade de expressão.
Por outro lado, o jornal dinamarquês Jyllands Posten pediu desculpas aos muçulmanos pela publicação das charges do profeta Maomé em carta enviada à imprensa argelina ontem por intermédio da embaixada da Dinamarca na Argélia. ''Nós nos desculpamos pelo grande mal-entendido provocado pela publicação das charges que representaram o profeta Maomé e alimentaram sentimentos belicosos em relação à Dinamarca'', diz a carta redigida em árabe e traduzida pelo jornal La Tribuna.


