Kerbala, Iraque O representante do grande aiatolá Ali Sistani, o dignitário xiita mais prestigiado do Iraque, ameaçou ontem convocar ''greves e manifestações'' para defender a organização de eleições gerais, enquanto um adolescente morreu em Bagdá na explosão de uma bomba.
''Nos próximos dias, serão organizadas várias manifestações e greves, e talvez possa até ocorrer um confronto com as forças de ocupação, se estas insistirem nos seus planos colonialistas, e continuarem definindo a política do Iraque em função de seus interesses'', avisou o xeque Abdel Mahdi al Karbalai durante um sermão na cidade santa de Kerbala, ao sul de Bagdá.
''Temos de apoiar a Marjaiya (direção religiosa xiita) para que sejam organizadas eleições gerais. A Marjaiya fará tudo que está em seu poder para impedir o confisco dos direitos do povo iraquiano, e não renunciará a essa causa'', afirmou.
O aiatolá Sistani pede que a Assembléia transitória, que assumirá o poder no Iraque a partir do próximo mês de junho, seja designada diretamente, enquanto o Conselho de Governo provisório iraquiano e a coalizão insistem em que a Assembléia seja nomeada por grandes eleitores, como prevê o acordo concluído em novembro passado. A coalizão e o executivo iraquiano rejeitam a idéia de convocar eleições gerais num prazo de alguns meses.
Em Kufa, perto de Najaf, 160 km ao sul de Bagdá, o jovem líder xiita radical Moqtada Sadr denunciou o projeto federalista dos curdos e fez um apelo à unidade de todos os iraquianos.
Em Bagdá, um adolescente iraquiano de 15 anos morreu e cinco pessoas ficaram feridas na explosão de uma bomba, que soldados americanos e policiais iraquianos iam desativar, segundo a polícia e fontes médicas.
''As pessoas ficaram perto da bomba, não queriam se mexer. Os americanos puseram algo sobre a bomba para cobri-la e, quando se distanciaram, alguém a acionou a distância'', explicou o sargento policial Mohi Naimi.
Protestos Cem pessoas se manifestaram ontem em Falluja, a 50 km ao oeste de Bagdá, contra a prisão de Jamis Sarhan al-Mohammad, número 54 na lista dos 55 dirigentes do regime deposto mais procurados pelos Estados Unidos, detido pelas forças americanas esta semana.

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