Bagdá - Milhares de xiitas manifestaram-se ontem Bagdá para reclamar a libertação de uma autoridade religiosa, o xeque Mohamed Fartusi, detido segundo eles, pelos soldados americanos.
O exército americano não confirmou a detenção, que ameaça aumentar a tensão com os xiitas, a comunidade majoritária no Iraque, oprimida durante anos pelo regime de Saddam Hussein.
O tenente Justin Morseth disse que até agora não podia confirmar a detenção. ''Não temos nenhuma razão para deter uma autoridade religiosa xiita. Pode provocar protestos e atos de violência e acho que deve ser um mal-entendido'', acrescentou.
A multidão, estimada em 5.000 pessoas, passou várias vezes em frente ao Hotel Palestina, onde se aloja a imprensa internacional e onde os americanos instalaram seu quartel-general em Bagdá.
Um comunicado distribuído à imprensa e assinado pelas ''massas populares do governo de Bagdá'' denunciou violentamente a detenção do xeque Fartusi, como também dos xeques Abdel Rahman Shuili e Abdel Rahman Fetlaui.
O xeque Fartusi, oriundo de Najaf, sede da assembléia dos ulemás xiitas do Iraque, encabeçou a 18 de abril a primeira oração xiita da sexta-feira em Sader City (ex-Saddam City), subúrbio xiita e popular do norte de Bagdá, desde que o governo a proibiu há quatro anos.
Ontem começou uma peregrinação rumo a Kerbala. Centenas de milhares de pessoas saíram para a cidade santa iraquiana a fim de comemorar o martírio de Hussein, terceiro imã do xiismo e neto do profeta Maomé, que morreu em 680 e foi enterrado em Kerbala.

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