Xiitas choram 66 mortos em atentados
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de dezembro de 2004
Hassan Abdel Zahra<br> France Presse 
Iraque - Os xiitas iraquianos choraram ontem seus mortos após os sangrentos atentados nas cidades santas de Najaf e Kerbala no momento em que aumentam os preparativos para as eleições do dia 30 de janeiro. Vários dirigentes iraquianos acusaram a Al-Qaeda e os simpatizantes de Saddam Hussein de serem os responsáveis pelos ataques, que deixaram 66 mortos e 200 feridos, mas frisaram que este tipo de ato não impedirá a realização das eleições, confirmando as declarações do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.
A eleição será fatal para a insurgência. Ela vai acontecer como foi prevista, disse Bush, na segunda entrevista coletiva concedida desde sua reeleição em 2 de novembro. Bush acusou os insurgentes de tentar impedir o processo de implantar a democracia no país, e mandou um aviso, dizendo a eleição do próximo mês é apenas o primeiro passo para a criação da estabilidade no Iraque.A eleição em janeiro é o começo de um processo [democrático] e é importante que o povo americano entenda isso.
As forças de segurança iraquianas detiveram 51 suspeitos após o atentado na cidade sagrada xiita de Najaf e acredita-se em uma ligação entre este ataque e o realizado quase simultaneamente em Kerbala, revelou o governador Adnan al Zorfi.
Estes atentados, cometidos no domingo perto do mausoléu do imã Ali (em Najaf) e do mausoléu do imã Hussein (em Kerbala), dois dos santuários mais venerados pela comunidade xiita, permitem prever que a violência continuará no Iraque até as eleições do dia 30 de janeiro, de acordo com vários responsáveis. Os autores dos atentados tentam obscurecer a estabilização do país, advertiu o grande aiatolá Mohammad Said al-Hakim, um dos quatro Marjaa (referência religiosa para os xiitas), ao exigir que o Governo ponha um fim neste tipo de crime e prenda os malfeitores.
Os ataques com carro-bomba, que deixaram 52 mortos (142 feridos) em Najaf e 14 mortos (57 feridos) em Kerbala, segundo o último balanço, querem evitar que a população vote, segundo os responsáveis religiosos. Eles querem desatar um guerra civil. São cidades xiitas, mas os atacantes não terão influência nas eleições, declarou Amar Dajl al-Assaidi, um porta-voz do partido fundamentalista xiita Dawa.
Assaidi previu que, durante a campanha eleitoral, começada no dia 15 de dezembro, haverá outros carros-bombas, atentados suicidas e assassinatos. Muito sangue será derramado, especialmente nas zonas xiitas e mistas, ou seja, locais onde xiitas, sunitas e cristãos vivem juntos. Os responsáveis pelos ataques são filiados ao movimento islamita Al-Qaeda e seu aliado no Iraque, o grupo de Abu Musab Al Zarqaui, igual aos membros do antigo regime de Saddam Hussein, ressaltou Assaidi.
Eles tentam persuadir a população a não participar das eleições, segundo o porta-voz do partido político xiita, o Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (CSRII), Haitham al-Husseini.
No exterior, o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Jameini, afirmou que os serviços de Inteligência israelenses e americanos estão por trás dos atentados de Najaf e Kerbala, de acordo com a televisão estatal.
Acredita-se que a comunidade xiita, majoritária no Iraque, seja a vencedora das eleições do dia 30 de janeiro.


