Xeique de Londrina diz que não é ''antiamericano''
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quinta-feira, 02 de dezembro de 2010
Eli Araujo<BR> Reportagem Local 
Londrina - O xeique Yamani Nour Mohammad, 33 anos, da Mesquita Mulçumana Islâmica de Londrina, se transformou, de uma hora para outra, em motivo de polêmica internacional Ele é acusado de atitudes ''antiamericanas'' no site www wikileaks org que publicou a troca de mensagens de diplomatas norte-americanos, na qual o líder religioso é citado
Tudo começou há dois anos, quando o xeique recebeu, na sede da mesquita em Londrina, a visita de alguém que se dizia representante do governo dos Estados Unidos A visita aconteceu após a eleição do novo presidente americano, Barack Obama
Na época, o xeique declarou que não havia provas concretas de que o terrorista Osama Bin Laden havia sido o mentor intelectual do ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001 Em entrevista à Folha, Mohammad reafirmou o que disse naquele momento, mas fez a ressalva de que foi mal interpretado ''Quem está fora da política igual a nós depende da informação da mídia e a mídia hoje não é muito confiável'', afirmou
Segundo ele, o fato de não concordar ou não ser simpatizante com um sistema de governo não quer dizer, necessariamente, que a pessoa seja contra ''Dentro do seu ideal, uma coisa é você ter a sua fé, o seu pensamento, a outra é agir contra o governo'', comparou
Ele disse que não há fundamento na forma como a situação foi apresentada, mas acredita que o ''erro de interpretação'' não tenha acontecido por má-fé ''Eu não sou antiamericano e nem antinada É difícil tentar fazer entender que política é uma coisa e que religião é outra, mas há pessoas que fazem questão de misturar as duas coisas, mas cada um é livre para entender da forma que quer O que quis mostrar é que a religião não faz diferença entre raças e povos, pelo contrário'', afirmou
O xeique acrescentou que a mídia sempre associa os problemas na Palestina, no Oriente Médio, a grupos mulçumanos radicais o que, segundo ele, não corresponde à verdade ''A religião sempre conseguiu unir diferentes crenças, vamos dizer mulçumanos, judeus e cristãos Hoje há um entendimento muito grande e a gente encontra mesquistas, sinagogas e igrejas cristãs na Palestina Se houvesse radicalismo religioso, esse lugar sagrado não existiria até hoje ''


