O líder separatista do Timor Leste, Xanana Gusmão, deve ser transferido hoje para uma casa, onde vai cumprir prisão domiciliar. Xanana cumpriu 5 dos 20 anos de prisão a que foi condenado por atentar contra a segurança do Estado e porte ilícito de arma.
A informação, confirmada por um oficial da penitenciária de Cipinang, em Jacarta, onde Xanana está preso, foi dada a conhecer ao mesmo tempo em que é registrado algum progresso nas conversações sobre o futuro do Timor Leste.
O ministro indonésio das Relações Exteriores, Ali Alatas, e seu colega português, Jaime Gama, finalizaram anteontem dois dias de negociações sobre o território na sede da ONU, em Nova York.
Entretanto, continua a controvérsia sobre a realização de um referendo no Timor. Novas conversações para tratar dessa questão foram marcadas para o dia 10 de março.
Segundo Alatas, o problema de um plebiscito seria a possibilidade de que uma nova guerra civil pudesse ser iniciada. ‘‘Um referendo não é a forma como pensamos o processo’’, disse o chanceler.
Gama discorda. ‘‘Eu não posso imaginar a ONU defendendo uma outra metodologia para se certificar da vontade de qualquer povo que não seja através da democracia, via processo eleitoral’’, afirmou.
A transferência de Xanana para uma prisão domiciliar é vista como uma resposta indonésia à forte pressão internacional, incluindo um pedido pessoal feito pelo secretário-geral da ONU. Kofi Annan para que o líder separatista fosse solto.
Ontem, o presidente indonésio, B. J. Habibie, prometeu que as eleições gerais de 7 de junho serão livres e justas, negando, ao mesmo tempo, uma reportagem que afirmava que ele seria o candidato à presidência do Partido Golkar (governista).
Em um sinal da delicada situação política em que se encontra o país, a polícia prendeu ontem 50 estudantes em Jacarta enquanto eles tentavam marchar até o prédio do Parlamento.
Os manifestantes pediam, mais uma vez, que o ex-presidente Suharto fosse julgado por corrupção e abusos dos direitos humanos. Eles também demandaram uma ampla investigação sobre o assassinato de vários estudantes em novembro do ano passado.

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