Jair Rattner
Especial para a AE
Na sua visita ao Brasil, que começa na próxima semana, o líder independentista de Timor Leste Alexandre Xanana Gusmão vai pedir uma mudança das tropas brasileiras que fazem parte do contingente da ONU no seu território. ‘‘Na próxima rendição das tropas, nós gostaríamos que viesse um batalhão de engenharia’’, disse em Portugal.
Segundo Xanana, não é uma queixa em relação aos 78 militares do Exército que se encontram em Timor. ‘‘Eles até foram escolhidos para ser a minha guarda pessoal. Mas inicialmente era para vir um grupo de engenharia, mas depois não puderam’’.
A necessidade de pessoal com especialização em engenharia é resultado da destruição que o território sofreu por parte de milícias organizadas pelos militares indonésios depois do plebiscito de 26 de agosto do ano passado que decidiu pela independência do território – algumas cidades tiveram mais de 90% de destruição.
Na sua viagem ao Brasil, que vai de 30 de março até 5 de abril, Gusmão também pedirá apoio na área da educação: ‘‘Gostaria de pedir ao Brasil para ajudar Portugal e mandar professores por que estamos sentindo falta de professores de língua portuguesa’’. Para os timorenses, a ida de professores de português é uma urgência, porque durante os 24 anos de ocupação indonésia da ex-colônia portuguesa – de 1975 até 1999 – o idioma de Portugal foi proibido no território.
A escolha da língua oficial do país está para ser definida nos próximos meses e a preferência da velha guarda da resistência é pelo português. No entanto, esta opção encontra resistências entre os mais jovens, que não sabem falar a língua – existem vários dialetos nativos, sendo que a língua mais falada é o tétum.
Em Portugal, Xanana teve encontros com o governo português e com a os dirigentes da União Européia. ‘‘No total vamos dar 33,5 milhões de euros para a ajuda humanitária imediata, 8,5 milhões de euros de ajuda alimentar, 10 milhões de euros para manter a administração da ONU no território, 20 milhões de euros este ano para a reabilitação e reconstrução e mais 20 milhões para a reconstrução em 2001’’, contabilizou o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi.

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