Xanana Gusmão deixa prisão de Cipinang
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Reuters 
Transferido ontem de uma cela da penitenciária de Cipinang, em Jacarta, para uma prisão domiciliar, o líder da guerrilha de Timor Leste, José Alexandre Xanana Gusmão, disse que está pronto para deixar a luta de lado e começar a negociar sobre o futuro de sua terra natal.
O comandante rebelde, preso desde 1993 e condenado a 20 anos de prisão por atentar contra a segurança do Estado e porte ilegal de armas, deverá ter um importante envolvimento na determinação do futuro da ex-colônia portuguesa, afetada por uma sangrenta guerra de guerrilha e abusos aos direitos humanos desde que foi invadida pela Indonésia em 1975.
Sua transferência, por pressão internacional liderada pelas Nações Unidas, é vista como um grande passo para a solução para o conflito timorense. A rápida transferência de Xanana, de 52 anos, para uma residência especial onde gozará de certas comodidades e poderá receber visitas - previamente autorizadas -, é atualmente uma das maiores concessões do governo indonésio desde a mudança de sua política a respeito de Timor Leste.
Uma decisão semelhante era impensável durante o regime do ex-presidente Suharto, cuja queda, em maio após violentas manifestações populares, abriu o caminho para o governo reformista do atual presidente B. J. Habibie anunciar a possibilidade de conceder a independência aos timorenses.
Usando uma camisa clara e gravata, o ex-líder da guerrilha Frente Nacional para a Libertação de Timor Leste (Fretilin), foi conduzido em um furgão preto até sua nova residência, uma casa de quatro cômodos no centro da capital, Jacarta, e a poucos quilômetros da prisão de Salemba.
A mulher de Xanana, Emilia, e seu filho, Nito, que assistiram sua libertação pela TV em sua casa em Melbourne, na Austrália, disseram que agora a Indonésia reconhece o rebelde timorense como um líder político.
Nito, de 28 anos, declarou que a primeira coisa que gostaria de dizer ao pai, que ele viu apenas três vezes nos últimos nove anos, é para continuar a lutar pela independência de Timor Leste. Emilia, que não vê o marido há 18 anos, comemorou ao ouvir o líder rebelde falando à imprensa após sair da prisão de Cipinang.
O próprio ministro da Justiça, Muladi, deu as boas-vindas a Gusmão em seu novo lar. O ministro anunciou que a Indonésia estuda a possibilidade de convidar o líder do movimento separatista timorense no exílio, José Ramos Horta, a visitar Jacarta.
Ramos Horta foi homenageado em 1996, com o bispo da capital timorense, Dili, Carlos Ximenes Belo, com o prêmio Nobel da Paz.
Ainda ontem, Ximenes Belo disse à rede de TV portuguesa TVI que defende a idéia de que um tribunal internacional julgue as violações dos direitos humanos em Timor Leste. Após criticar a forma como Portugal descolonizou o território, o bispo de Dili afirmou que a Indonésia está cometendo o mesmo erro ao distribuir armas entre os timorenses que defendem a anexação.
Desde o anúncio de Jacarta de que poderá conceder a independência ao território se os timorenses rejeitarem a proposta de ampla autonomia, aumentou a onda de ataques de paramilitares favoráveis à anexação contra pessoas suspeitas de defender a independência.


