Londres- Davi Kopenawa, xamã e porta-voz da Comunidade dos Yanomami do Brasil, advertiu em Londres contra os perigos da campanha que está em voga na Grã-Bretanha sobre a compra da Amazônia para evitar sua destruição, afirmando que a única coisa que pode salvar a floresta é a proteção das comunidades e terras indígenas. ''A floresta está acabando, os rios estão doentes, a terra está cansada e os yanomamis estão morrendo'', afirmou Kopenawa.
O xamã se referia à campanha lançada pela organização Cool Earth, fundada por um milionário britânico, Johan Eliasch - nomeado pelo primeiro-ministro Gordon Brown como um de seus assessores especiais sobre desmatamento -, que promove a idéia de comprar pedaços da Amazônia para protegê-la.
''Agora querem comprar pedaços da floresta. Mas a terra não pode ser comprada. Não é carne, não é roupa, que se compra e vende. A terra é nossa vida, e nós sempre a protegemos'', afirmou. ''A terra tem só um coração, e é ali que está a alma, a felicidade. Não podemos deixar que isso seja destruído. Essa gente (do Cool Earth) tem que respeitar as comunidades que vivem lá. Precisam vir conversar conosco'', acrescentou Kopenawa, que viajou a Londres para o lançamento de um documento, batizado ''O progresso pode matar'', da organização Survival International.
Segundo cifras da Cool Earth, a organização já comprou 32.000 acres (13.000 hectares) no Brasil e no Equador.
Davi se reuniu com deputados no Parlamento, e ontem entregaria carta ao primeiro-ministro, alertando sobre os perigos que a Amazônia e as comunidades indígenas correm.
O diretor da Survival International, Stephen Corry, ressaltou que a campanha da Cool Aid não é séria e que tira a atenção de uma ''solução verdadeira'' para a Amazônia. Esta campanha ''permite comprar uma pequeníssima fração'' da selva, admitiu. ''Algo equivalente a um balde de água no Mar do Norte''
'
A Survival Internacional estima que 50 milhões de acres (mais de 20.000 hectares) de selva amazônica sejam desmatados a cada ano.

mockup