Wasmosy nega entrega de poder aos militares
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 1998
Reuter 
O governo paraguaio desmentiu ontem em Assunção as declarações de uma dirigente política próxima ao presidente Juan Carlos Wasmosy, que havia dito que o poder poderia ser entregue a uma junta militar como saída para a crise política do país.
Essa hipótese é totalmente descabida. Não tem nenhuma relação com o pensamento do poder executivo e é uma proposta da própria pessoa que a proferiu, disse à Reuters o porta-voz da presidência, Edward Bogado.
Horas antes, na manhã de ontem, uma das líderes do governamental Partido Colorado, Del Rosario Riveros, havia declarado que caso não se realizem as eleições previstas para 10 de maio o poder será entregue ao presidente da Corte Suprema de Justiça ou a uma junta militar.
O presidente disse repetidas vezes que seu desejo é que se cumpra a constituição, disse Bogado.
Riveros é uma dirigente política bastante procurada pela imprensa como fonte, por pertencer a uma vertende do Partido Colorado bastante próxima do presidente Juan Carlos Wasmosy.
Ela afirmou que a teoria da junta militar é a mais provável ao sair de uma reunião com o presidente na residênica oficial da capital.
Suas declarações colocaram mais lenha na fogueira do conturbado ambiente político paraguaio, que vive uma crise desde que o general da reserva Lino Oviedo foi eleito candidato presidencial pelo Partio Colorado em prévias consideradas irregulares pelo governo, em setembro de 1997.
O militar está preso desde dezembro por ordem de um tribunal militar instituído pela presidência, sob acusação de ter tentado um golpe de Estado em 1996 e pode ser condenado a uma pena que vai de cinco a 25 anos de prisão.
O argumento dos oficialistas para a alteração do calendário eleitorial e eventual adiamento das eleições é que tanto a convenção do partido governamental quanto dos oposicionistas Partido Liberal e Encontro Nacional foram realizadas de forma fraudulenta.
A oposição também reagiu ao impacto das versões militaristas e voltou a defender os prazos eleitorais.
Não é a primeira vez que essa senhora se manifesta nesses termos, disse o senador Luis Guanes Gondra, um dos líderes do Partido Liberal. A vontade dos paraguaios e da comunidade internacional está comprometida com o processo de democratização e, dentro desse contexto, com a realização das eleições em 10 de maio, acrescentou ele.


