Enquanto Bill Clinton, entrincheirado na Casa Branca, enfrentava ontem o dia mais longo, perigoso e - sem qualquer sombra de dúvida - mais humilhante da sua presidência, as ruas da capital norte-americana foram tomadas desde a madrugada pelos meios de comunicação; a agitação era a mesma dos dias de grandes acontecimentos.
O frenesi começou, na realidade, muito antes de raiar o dia, sob um céu carregado de nuvens e chuva. As câmeras e os projetores encurralaram nas próprias casas os principais atores do drama: o promotor especial Kenneth Starr em Virgina e David Kendall, advogado pessoal do presidente, em Maryland.
Horas antes do encontro histórico entre o presidente Clinton e o grande júri às 13 locais (14 horas em Brasília), todas as entradas da Casa Branca foram tomadas de assalto pelas câmeras e os jornalistas, equipados com cadeiras, guarda-chuvas e sanduíches para poder aguentar uma longa espera.
O tribunal federal, localizado a algumas ruas da Casa Branca, também foi cercado por caminhões, câmaras e projetores das redes de televisão.
Aglomerados ante as grades da Casa Branca - às segundas-feiras o prédio está fechado ao público - os turistas foram assediados com perguntas dos jornalistas.
A assessoria de imprensa da Casa Branca advertiu que não estava em condições de distribuir mais credenciais, e apenas os jornalistas que cobrem regularmente a presidência foram admitidos.
Durante o fim de semana passado, a pressão havia aumentado com os noticiários dominicais repletos de análises sobre o caso Lewinsky, e emissões especiais. A rede CNN, por sua vez, estreou na noite de domingo o primeiro de seus quatro ‘‘encontros’’ especiais entre os jornalistas e público, consagrados esta semana ao escândalo.
Como em janeiro passado, quando explodiu o ‘‘affaire’’, os jornalistas que cobriam a visita do Papa a Cuba tiveram que regressar a Washington e os apresentadores mais famosos encurtaram suas férias. Peter Jennnings, da rede ABC, até sacrificou a lua-de-mel.
‘‘Os sentimentos mais generalizados são tristeza, decepção, e ira: pela primeira vez um presidente norte-americano presta depoimento sobre sua vida sexual ante um grande júri’’, destacava ontem The New York Times.
Laura Chalmers, 26 anos, ouvida nas proximidades da Casa Branca, desejava por sua vez ‘‘que nunca tivéssemos chegado tão longe com esta história. Haja o que houver, acho que (o presidente) perdeu sua credibilidade’’.
Membros da ‘‘Comissão de Investigação sobre Clinton’’, um grupo conservador favorável à destituição de Bill Clinton, afirmaram que se tratava de ‘‘um dia triste para os Estados Unidos’’.France PresseO promotor Kenneth Starr chega à Casa Branca, desembarcando em um portão lateral para evitar a imprensaMarie Sanz
France Presse

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