Washington rejeita o apelo iraquiano
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sábado, 14 de novembro de 1998
Farouk Choukri France Presse 
O Iraque continuava ontem pedindo uma intervenção do secretário-geral da ONU, enquanto Washington se mantinha contrário a qualquer mediação, e a França pedia a seus cidadãos que suspendam suas viagens a Bagdá, diante da possibilidade de um ataque americano.
No momento em que Washington procurava conseguir o apoio de seus aliados em todo o mundo, a Rússia e a China, dois membros permanentes do Conselho de Segurança se mostraram contrários ao uso da força contra o Iraque. O presidente iraquiano Saddam Hussein deve cancelar publicamente sua decisão e reiniciar totalmente a cooperação com a UNSCOM (comissão especial da ONU para o desarmamento iraquiano) se quer evitar ataques militares, informou ontem a secretária de estado americana Madeleine Albright.
Por sua vez, o presidente iraquiano afirmou ontem que o Iraque defende qualquer iniciativa que possa satisfazer suas exigências justas e equilibradas, segundo a agência INA. O presidente da Rússia, Boris Yeltsin, confirmou que não apoia o uso da força contra o Iraque, mas responsabilizou as autoridades iraquianas pela degradação da situação, informou o porta-voz do Kremlin, Dimitri Iakushkin.
Por sua vez, os moradores de Bagdá pareciam pouco afetados pela possibilidade de sofrerem bombardeios; os mercados da capital continuavam repletos e os engarrafamentos habituais aconteciam exatamente como sempre. Os cafés da rua Rachid, no centro de Bagdá, estavam lotados, como qualquer sexta-feira, dia de descanso muçulmano. Todos afirmavam não temer o ataque e alguns manifestavam seu ódio aos Estados Unidos.
Dirigentes e meios de comunicação iraquianos voltaram a pedir que Annan intervenha para resolver a crise provocada pela decisão de Bagdá de suspender a cooperação com os inspetores da ONU encarregados de seu desarmamento. O vice-presidente iraquiano, Tarek Aziz reiterou que seu país está disposto a trabalhar com o secretário-geral da ONU. Annan, que regressou quinta-feira a Nova York, disse por sua vez que não tinha planejado viajar a Bagdá.
O Iraque deixou de cooperar com os inspetores da UNSCOM no final de outubro e exige que o Conselho de Segurança examine a possibilidade de levantar as sanções econômicas impostas a Bagdá há oito anos. Vários diários do Golfo Pérsico acusaram ontem os Estados Unidos de querer atacar o Iraque a todo custo, mas pediram às autoridades iraquianas que voltem atrás em sua decisão de cessar toda colaboração com os inspetores de desarmamento da ONU. O presidente chinês Jiang Zemin recordou seu colega americano Bill Clinton que Pequim é contrário ao uso da força para resolver o conflito, informou ontem o ministro chinês das relações exteriores.


