WashingtonO referendo organizado no Iraque para dar um novo mandato de sete anos ao presidente Saddam Hussein não é ''sério'', estimou ontem o porta-voz da Casa Branca. ''Não é um dia muito sério, não é uma votação muito séria, ninguém lhe dá realmente credibilidade'', afirmou Ari Fleischer em um encontro com os jornalistas.
No último referendo, em 1995, 99,96% dos iraquianos disseram ''sim'' a Saddam Hussein e as autoridades locais dizem esperar um resultado ainda melhor este ano.
ResultadosOs resultados oficiais do referendo sobre a prorrogação ou não do mandato do presidente Saddam Hussein por mais sete anos, realizado ontem no Iraque, poderão ser anunciados hoje de manhã. A informação foi divulgada em Bagdá por fontes oficiais, enquanto tiros de festim inundavam o céu da capital em sinal de alegria.
''Os resultados serão anunciados na manhã de quarta-feira por Izzat Ibrahim, número dois do regime e presidente da comissão eleitoral'', declararam ministros à televisão.
Segundo eles, o líder iraquiano, no poder desde 1979, poderá registrar uma aceitação popular recorde no referendo, o que representaria uma verdadeira bofetada para os Estados Unidos, que desejam acabar com o regime de Saddam Hussein.
Desafio aos EUAOs iraquianos foram votar ontem para dar um novo mandato de sete anos ao presidente Saddam Hussein em um referendo apresentado como um ''desafio'' aos Estados Unidos.
Cerca de 11,5 milhões de eleitores estão convocados a responder ''sim'' ou ''não'' se Saddam Hussein deve continuar sendo presidente. Mil seções eleitorais foram abertas em todo o país, com exceção das regiões curdas do Norte, que desde 1991 fogem ao controle de Bagdá.
O referendo é apresentado como ''a resposta dos iraquianos às ameaças norte-americanas e sionistas''. Em Paris, o presidente francês Jacques Chirac e o chanceler alemão Gerhard Schroeder manifestaram sua ''convergência de pontos de vista'' sobre o Iraque, reafirmando a prioridade do Conselho de Segurança da ONU.
França e Rússia, esta última também membro do Conselho de Segurança, recusaram-se a inserir em uma nova resolução a possibilidade de um recurso automático à força em caso de desobediência de Bagdá, como exigem Londres e Washington.
Para Bush, desarmar Saddam Hussein é ''tão importante'' como neutralizar a ameaça da rede terrorista Al-Qaeda, de Ossama bin Laden.
Debate no CS da ONUUm debate público sobre o Iraque no Conselho de Segurança deve começar hoje para destacar que embora a comunidade internacional esteja amplamente de acordo em desarmar o Iraque, não está disposta a dar carta branca a Bush para que este decida sozinho a utilização da força.

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