Os Estados Unidos vetaram na madrugada de ontem uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) sobre o Oriente Médio que, segundo seus representantes, ignorava os recentes atentados contra os israelenses. Doze países, inclusive a França, a Rússia e a China, votaram em favor desta resolução, e dois se abstiveram, entre eles a Grã-Bretanha.

O embaixador americano na ONU, John Negroponte, declarou antes da votação que, ''com pesar, os Estados Unidos decidiram exercer seu direito de veto para bloquear esta resolução''. A resolução condenava ''todos os atos de terror'' como ''o uso excessivo da força'' no conflito israelense-palestino e ''incentivava'' o estabelecimento de um ''mecanismo de vigilância'' para ajudar a acalmar um conflito que causou mais de 1.000 mortos desde setembro de 2000.

Mas Negroponte enfatizou que a resolução tinha ''uma falha'' porque não mencionava ''os recentes atos de terror contra os israelenses ou seus dirigentes''.

O diplomata norte-americano defendeu que o líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, tem de tomar as ''medidas necessárias para acabar com o terrorismo'' e desmantelar organizações terroristas como o Hamas e a Jihad Islâmica.

A última escalada de violência foi provocada por um atentado contra um ônibus na Cisjordânia, que na quarta-feira passada causou dez mortos. Como represália, Israel cortou qualquer contato com o presidente da Autoridade palestina, Yasser Arafat, e lançou uma ampla ofensiva na Cisjordânia e na Faixa de Gaza contra os símbolos da autoridade e do aparelho de segurança palestino.

O tom do projeto de resolução era de ajuda a Arafat ao enfatizar que a Autoridade Palestina ''continua sendo uma parte indispensável e legítima para a paz'' e tinha de ser plenamente mantida.

A resolução foi apresentada pela Tunísia, representante dos países árabes no Conselho de Segurança, e o Egito, que preside o grupo árabe na ONU, mas incorporou várias emendas apresentadas pela França para tentar reunir o maior número de votos possível.

Os palestinos criticaram ontem o veto dos Estados Unidos. Nabil Abu Rudeina, conselheiro do presidente Yasser Arafat, declarou à France Presse que os palestinos ''condenam firmemente o veto americano. Essa decisão animará Israel a prosseguir com sua escalada militar contra o povo palestino''.

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