Wânio foi preso no Brasil e sofreu tortura psicológica
ReproduçãoRevolucionárioNa década de 70, o capitão Wânio de Mattos acompanhado da mulherWânio José de Mattos era capitão do Exército Brasileiro, ex-comandante de cavalaria do regimento 9 de Julho em São Paulo, além de advogado, repórter e fotógrafo da extinta revista Realidade. Foi preso em 1970, no Brasil, acusado de ser membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), um dos grupos de esquerda que combatia o regime militar implantado em 1964.
Sua prisão foi efetuada logo depois de ele ter feito um concurso para juiz, no prédio da Faculdade do Largo São Francisco. Foi detido na rua e levado para o quartel do Barro Branco, onde, por ser militar, ficou em cela especial. A tortura sofrida no Brasil foi psicológica: os agentes da repressão queriam nomes e fizeram chantagem, dizendo que tinham prendido sua esposa, Maria das Dores. Pediram nomes de pessoas que, como ele, lutavam contra a ditadura.
A prisão de Maria das Dores foi feita no emprego. Ela cuidava da seção de perfumaria de uma farmácia da avenida São João. Soldados militares também usaram de chantagem. Disseram que Wânio havia sofrido um acidente e estava entre a vida e a morte. O que seria uma corrida para socorrer o marido acabou na delegacia da Polícia Civil na rua Tutóia, Vila Mariana, onde funcionava um dos departamentos da Operação Bandeirantes - organizada pelos militares para caçar militantes de esquerda. Foi liberada 24 horas depois, mas o mesmo não ocorreu com Wânio, que passou seis meses detido.
Maria das Dores o visitava regularmente e engravidou durante uma das visitas de final de semana. Já tinha tentado ficar grávida de todas as maneiras. Tínhamos nove anos de casado e sonhávamos em ter filho. Numa das visitas, acho que fiquei tão desesperada em lhe dar algo que consegui engravidar. Ele já estava baqueando, revela.
Ele só soube depois da gravidez da esposa porque deixou a prisão para integrar o grupo dos 70 presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovani Enrico Bucher. O destino foi o Chile. Em janeiro 73, Maria das Dores foi ao encontro do marido junto com a filha, na condição de turista. Levavam uma vida tranquila. Wânio dava aulas na Universidade de San Antônio, em Santiago. Para os vizinhos, lecionava de graça. Mas o sossego terminou em setembro, com o golpe de Estado. A família foi presa e levada para o Estádio Nacional do Chile. Começava uma sessão de tortura da qual somente Maria das Dores e Roberta sairiam vivas. (P.Z)





