Walter Cronkite, âncora mítico, morre nos EUA
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sábado, 18 de julho de 2009
Sérgio Dávila<br> Folhapress 
Washington- Walter Cronkite, o âncora televisivo com voz de barítono, rosto sério e bigode ralo, que narrou os principais eventos mundiais das décadas de 60 e 70 para a classe média americana e moldou o cargo jornalístico que seria depois adotado por emissoras no mundo inteiro, morreu anteontem à noite em decorrência de problemas cerebrais e vasculares. Tinha 92 anos.
Conhecido pelo epíteto ''o homem mais confiável da América'' e por terminar as transmissões com a frase ''That's the way it is'' (é assim que as coisas são, em tradução livre), apresentou o principal telejornal da CBS de 1962 a 1981. Fez isso, numa época, pré-Internet e com TV paga ainda incipiente, em que seu programa e os dos concorrentes, nas emissoras ABC e NBC, tinham mais de 80% da audiência total.
Sua relevância como o rosto noticioso por excelência dos televisores do país era tamanha que, em 1995, quase 15 anos após se aposentar, ''Tio Walter'', o apelido pelo qual ficou conhecido, ainda era apontado numa pesquisa de opinião feita pelo TV Guide como o principal nome no noticiário de TV em treze de catorze categorias, entre elas ''o mais confiável''.
Foi principalmente pela voz dele que milhões ouviram quatro momentos seminais da história recente norte-americana: a morte do presidente John Fitzgerald Kennedy, em 22 de novembro de 1963, o começo da virada da opinião pública a respeito da Guerra do Vietnã, após a Ofensiva do Tet, em 1968, a chegada do homem à lua, em 20 de julho de 1969, e o processo que levou à renúncia de Richard Nixon, em 1974.
No primeiro evento, Cronkite diz, enquanto tira os óculos para olhar o relógio na parede do estúdio da emissora: ''De Dallas, um boletim, aparentemente oficial: o presidente Kennedy morreu às 13h, hora central, 14h do Leste, cerca de 38 minutos atrás''. Faz então uma pausa, verte lágrimas discretas e recoloca os óculos. Anos depois, diria em entrevista que se arrependeu de ter mostrado emoção no ar.
No terceiro evento, que completa quarenta anos na segunda-feira, o âncora passou no ar 27 horas das 30 horas que durou a porção principal da missão do Apolo 11. No momento em que Neil Armostrong dá o primeiro passo, Cronkite tira os óculos, uma mania recorrente, esfrega as mãos, ri e diz: ''Uau! Homens na Lua!''.


