Voz pode indicar tendências suicidas
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de agosto de 2000
France Presse De Paris 
A primeira indicação de que uma pessoa tem tendência suicida poderia ser uma alteração na voz, segundo uma pesquisa de cientistas americanos publicada na revista britânica New Scientist.
Esta alteração na voz é bastante significativa, como que para alertar o psiquiatra e ajudá-lo a distinguir entre os seus pacientes os que têm sérias tendências suicidas e os que simplesmente estão deprimidos, acrescenta a revista especializada.
A percepção de que a voz pode dar informações vitais no que diz respeito à saúde mental de um indivíduo foi do psiquiatra da universidade de Yale Stephen Silverman. Ele notou que, tomando como base o tom da voz, podia adivinhar frequentemente se um paciente corria o risco de suicidar-se em um futuro próximo.
Para testar a eventual utilidade prática das suas intuições, o especialista pesquisou o assunto, com a colaboração do engenheiro eletrônico da Universidade de Vanderbilt (Nashville, Tenessee) Mitchell Wilkes. Uma série de entrevistas com 64 pacientes que sofriam de depressão foi comparada com entrevistas de outras 33 pessoas, que não tinham o problema. Vinte e dois dos pacientes entrevistados tentaram realmente suicidar-se.
Posteriormente, realizou-se um estudo comparativo das gravações das entrevistas e da trajetória de vida dos pacientes. No caso dos suicidas, a voz era mais oca, vazia (...), o que se chama de voz ultratumular.
Wilkes baseou-se em dois fatores para distinguir os que tinham mais chances de suicidar-se dos outros. Os suicidas utilizam um espectro de frequências vocais menos amplas quando pronunciam as vogais do que os pacientes que estão apenas deprimidos. O tom de voz dos suicidas também se torna mais alto. Existe uma diferença notável entre a voz dos suicidas e a das pessoas normais e entre a voz das pessoas normais e a dos deprimidos, explicou Wilkes.
O motivo da alteração da frequência vocal poderia estar ligado a mudanças fisiológicas produzidas pelo estresse (...) que podem afetar as cordas vocais, sugeriu o engenheiro.
Estas descobertas poderiam ajudar os funcionários de serviços telefônicos de urgência a ter uma idéia do estado real da pessoa que está do outro lado da linha. Tudo o que for capaz de determinar com antecedência o risco de suicídio de uma pessoa desesperada será de grande ajuda para nós, estimou Emma Charvet, responsável na Grã-Bretanha por uma associação de assistência telefônica a pessoas com tendência suicida, citada pela revista.


