Votação na ONU isola EUA no embargo a Cuba
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quinta-feira, 06 de novembro de 1997
France Presse Nova York 
A Assembléia Geral das Nações Unidas votou ontem por 143 votos a favor e três contra (17 abstenções) pelo fim do embargo americano a Cuba, evidenciando o crescente isolamento dos Estados Unidos nesta questão. Numa das coalizões mais fracas conseguidas por Washington em toda a história da ONU, só Estados Unidos, Israel e Uzbequistão votaram contra a resolução. Este número é igual ao da votação passada, mas os países contrários ao embargo aumentaram: 143 votaram a favor, sete mais do que ano passado, o que reflete o crescente isolamento dos Estados Unidos em sua política.
Esta votação contra o embargo imposto por Washington há 35 anos se tornou já uma tradição na ONU, desde a primeira resolução da Assembléia Geral em 1992, reclamando o fim do bloqueio. Desde então tem aumentado todo ano o número de países contra o embargo. Em 1991, quando a questão foi considerada pela primeira vez, Washington chegou ao extremo de afirmar que não existia o bloqueio, disse na ONU o presidente da Assembléia Nacional Cubana, Ricardo Alarcón. Cinco resoluções foram aprovadas por ampla maioria, mas os Estados Unidos as ignoraram e não cessaram de adotar novas medidas para reforçar o bloqueio, disse Alarcón, referindo-se à lei Helms-Burton.
A resolução da ONU não tem força legal, mas pôs em evidência que Washington está ficando só em sua tentativa de impor medidas unilaterais para impedir que outros países comercializem com Cuba.
Cuba, último país comunista do mundo ocidental, se vangloriava ontem de contar com o apoio do empresariado mundial por ocasião da 15ª Feira Internacional de Havana, inaugurada domingo passado pelo presidente Fidel Castro. O empresariado mundial apóia Cuba, escreveu na primeira página o jornal Granma do Partido Comunista Cubano. A presença na 15ª Feira Internacional de Havana de um número expressivo de expositores e o aumento notável de representantes de câmaras (de comércio), associações e missões (comerciais) são uma resposta evidente da comunidade empresarial à pretensão do governo americano de agravar o bloqueio, disse o presidente da Câmara de Comércio de Cuba, Carlos Martínez Salsamendi.
Cerca de 1.800 empresas representantes de 61 países participam esta semana na 15ª Feira. A Espanha conta com a maior representação, seguida de México, Itália, Canadá e França.


