Voos voltam a operar na Europa
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quarta-feira, 21 de abril de 2010
Folhapress 
São Paulo - Quase 100% dos voos devem operar na Europa hoje, depois que as restrições ao espaço aéreo de cerca de 20 países do continente foram canceladas, dando fim à quase uma semana de caos ocasionada pela nuvem de cinzas de um vulcão na Islândia.
Segundo a Agência Europeia para a Segurança da Navegação Aérea (Eurocontrol), ao menos 22,5 mil voos - mais de 80% - devem operar hoje, comparados com 28 mil em dias normais. Os voos acima de 20 mil pés estão liberados, com pequenas restrições em algumas áreas da Finlândia e do norte da Escócia. Voos transatlânticos voltaram ao normal, uma vez qie 338 voos chegaram à Europa ontem, segundo a agência.
No entanto, a retomada dos mais de 95 mil voos cancelados nos últimos seis dias congestiona os aeroportos das principais capitais europeias, e a capacidade de absorver os atrasos é limitada. Em Londres, o tráfego aéreo foi lentamente retomado ontem em Heathrow e nos demais aeroportos britânicos, mas autoridades advertiram que o ritmo normal levará tempo para ser restabelecido, após quase uma semana de paralisação.
Após o anúncio do fim das restrições por parte do Serviço de Controle do Tráfego Aéreo Britânico, Heathrow reabriu no fim da noite de terça-feira e menos de uma hora depois pousou em uma das pistas o primeiro voo da companhia British Airways, procedente de Vancouver (Canadá).
Os dois principais aeroportos de Paris, Charles de Gaulle e Orly, garantiram ontem todos os voos intercontinentais, após seis dias de tráfego paralisado ou prejudicado pelas cinzas vulcânicas procedentes da Islândia. De acordo com as autoridades do aeroporto Charles de Gaulle, o maior da França, 100% dos voos de longa distância e 90% dos trajetos de curta e média distância de todas as companhias operaram ontem.
No segundo aeroporto de Paris, Orly, 100% dos voos intercontinentais também estavam garantidos. Nos dois terminais, a prioridade é repatriar milhares de franceses retidos no exterior. ''O problema é europeu. A Europa não reagiu muito bem. Será necessário ajustar algumas regras'', afirmou o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner.
Na Islândia, cerca de 800 pessoas tiveram de deixar suas casas após a erupção do vulcão Eyjafjallajokul há uma semana. Os moradores viram seus campos virarem um deserto coberto por um pó fino dias atrás, mas agora começam a se preocupar com a possibilidade de que as erupções recentes acordem um vulcão ainda muito maior. O vulcão continuará emitindo cinzas nos próximos dias, mas de forma reduzida, informou a agência de Defesa Civil islandesa. A nuvem vulcânica é ''bastante baixa'' e não-visível para os radares, e não se espera que alcance uma altitude superior aos 20 mil pés (entre 6 mil e 7 mil quilômetros) durante os próximos dias, indicam as últimas previsões.
Prejuízos
As companhias aéreas perderam até agora cerca de US$ 1,7 bilhão (R$ 2,9 bilhões) devido às restrições impostas pelas autoridades aeronáuticas por causa da nuvem de cinzas gerada pela erupção vulcânica na Islândia, informou Giovanni Bisignani, diretor-geral da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata). ''Os cancelamentos de voos custaram até agora às companhias aéreas mais de US$ 1,7 bilhões e, o que é pior, a crise impactou em 29% da aviação oficial e afetou 1,2 milhão de passageiros'', disse Bisignani.
Segundo ele, ''a crise ofusca à do 11 de Setembro (de 2001) quando o espaço aéreo americano esteve fechado durante três dias'' por causa dos atentados terroristas de então. Bisignani disse esperar que, dessa situação, se tirasse a conclusão de que é necessário unificar o espaço aéreo europeu e que haja, além disso, o convencimento de que a aviação deve ter um lugar mais importante na agenda política internacional.


