'Voltei a viver', diz ex-refém das Farc
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sábado, 12 de janeiro de 2008
France Presse 
Bogotá - A recém-libertada refém das Farc Consuelo González denunciou ontem as condições desumanas em que vivem os sequestrados na Colômbia, afirmando que militares e policiais ficam acorrentados pelos pés e pelo pescoço, inclusive na hora de dormir. ''Eles tomam banho acorrentados, comem acorrentados e dormem acorrentados'', declarou.
A ex-parlamentar ainda disse que as dez pessoas que estavam presas com ela ''estão muito mal de saúde, e todas com sintomas diferentes''. ''O pior é que ninguém sabe o que tem, pois na selva não existem consultas ou exames médicos'', comentou.
Segundo Consuelo González, o único tratamento que os reféns doentes recebem é dado ''por um guerrilheiro que distribui pastilhas contra dor de estômago ou diarréia''. A deputada também destacou que os reféns são forçados a mudar constantemente de lugar e a percorrer longas caminhadas, muitas vezes em ''situações de altíssimo risco''.
''Sentimos as bombas explodir a poucos metros de nós, os helicópteros atirando com suas metralhadoras'', relatou, acrescentando que os guerrilheiros que vigiavam os reféns sempre diziam que em caso de resgate, a ordem que tinham era de executá-los.
Alívio
González e Clara Rojas, entregues anteontem pelas Farc, passaram sua primeira noite em liberdade em um hotel de Caracas junto com familiares, após terem sido mantidas em cativeiro por seis anos.
Depois de terem sido recebidas na selva de Guaviare (sudeste da Colômbia) por uma comissão venezuelana e pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, as duas mulheres voaram para a Venezuela e se reencontraram com seus familiares mais próximos no aeroporto internacional Simón Bolívar, de Caracas.
''Isso é como voltar a viver. Às vezes acho que é um sonho'', disse González, ao tomar nos braços sua neta de dois anos, que ela não conhecia. Entre abraços, beijos e lágrimas, as duas famílias se dirigiram imediatamente para o palácio presidencial de Miraflores, onde se reuniram com o presidente venezuelano Hugo Chávez por cerca de uma hora.
Clara Rojas e Consuelo González foram em seguida para o hotel cinco estrelas onde estão hospedados seus familiares desde 27 de dezembro e lá passaram sua primeira noite em liberdade. Ontem as duas famílias permaneciam em seus quartos e nenhum deles desceu para tomar o café da manhã. O movimento no local era pequeno e os funcionários não davam detalhes sobre as libertadas.
Clara Rojas disse que para sua libertação foram obrigadas a caminhar durante 20 dias e que estava ''esgotada'', pois não havia conseguido dormir bem.


