Volta de Montesinos piora crise no Peru
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segunda-feira, 23 de outubro de 2000
Associated Press De Lima 
O presidente do Peru, Alberto Fujimori, convocou ontem pela manhã uma reunião ministerial de emergência diante do retorno inesperado ao país do ex-chefe de espionagem, Vladimiro Montesinos. O retorno inesperado de Montesinos precipitou a renúncia do primeiro vice-presidente Francisco Tudela, aprofundando a crise política no Peru.
Entre os ministros que atenderam a convocação no Palácio do Governo estavam o primeiro-ministro, Frederico Salas, e o ministro de Finanças, Carlos Boloña. Tudela, por sua vez, renunciou à primeira vice-presidência por discrepâncias com governo.
Em setembro, Fujimori anunciou que convocaria novas eleições, nas quais não concorreria, após a divulgação de um vídeo mostrando Montesinos pagando suborno para um parlamentar que havia migrado da oposição para o partido do governo. Logo após o escândalo, Montesinos fugiu para o Panamá, que se recusou a dar asilo político ao ex-chefe de espionagem do Peru.
Falando sobre sua renúncia, o outro episódio que agitou o cenário político do país ontem, Tudela disse que as discrepâncias entre suas posições e as do governo não o impedem de continuar como legislador, e que explicou sua posição em cartas enviadas ontem ao presidente Fujimori e à presidente do Congresso, a governista Martha Hildebrandt.
Nas cartas, e depois em entrevista pelo rádio, Tudela disse não poder assistir como comparsa a algo que não controlo. Que fique claro que a minha presença (no governo), como uma espécie de títere, daria respeitabilidade a esta espécie de conspiração que vem se desenvolvendo aqui contra o sistema republicano. Para Tudela, o retorno de Montesinos ao Peru, na madrugada de ontem, desestabiliza o país.
A renúncia de Tudela ocorreu depois que os militares aumentaram a pressão sobre o governo para a aprovação de uma ampla lei de anistia. O ministro da Justiça, Alfredo Bustamente, apresentou anteontem à noite pela televisão uma proposta de realização de eleições mediante a aprovação de uma anistia geral, para proteger os militares e civis implicados nas violações dos direitos humanos.
Montesinos partiu do Panamá na madrugada de ontem num jato particular. Depois de uma breve escala técnica no aeroporto equatoriano de Guayaquil, o avião dirigiu-se a uma base aérea de Pisco, no sul do Peru.
O governo equatoriano desmentiu ontem rumores de que Montesinos tinha feito um pedido de asilo ao país. Segundo informação da Radioprogramas do Peru, o ex-chefe de inteligência chegou a Lima no começo da tarde, quando teria aterrissado no Grupamento Aéreo Número 8, uma base da Força Aérea vizinha ao Aeroporto Internacional Jorge Chávez. Ainda de acordo com a emissora de rádio, um veículo da Embaixada da Argentina no Peru entrou surpreendentemente na base.
O batalhão de choque da polícia peruana dispersou ontem com gás lacrimogêneo e jatos de água dezenas de trabalhadores e desempregados que protestavam no centro de Lima contra o retorno de Montesinos. Os manifestantes, alguns dos quais carregavam bandeiras peruanas, queimavam pneus na praça San Martín e nas ruas adjacentes e pediam: Julguem Montesinos! Julguem Montesinos!


