Apesar da incômoda chuva que ao longo do dia atingiu a cidade, os moradores de Assunção circularam ontem pelas ruas como não o faziam há uma semana. As bandeiras paraguaias ainda decoravam a cidade, que começava a limpar os escombros das barricadas espalhadas pelo centro da cidade. O comércio voltou a abrir suas portas depois de uma semana de prejuízos e a greve geral, em vigor desde quarta-feira passada, foi suspensa pelas três centrais sindicais.
Com cara de sono, os moradores comentavam as festividades da noite anterior, quando haviam sido informados da renúncia do polêmico presidente Raúl Cubas Grau e a posse do novo presidente Luis González Machi. Na posse, realizada no Senado, não faltaram os gestos simbólicos, que oscilaram entre as demonstrações do poder e o piegas: o ex-presidente Juan Carlos Wasmosy levou até o plenário a faixa e o bastão presidencial, o que foi interpretado como um sinal de que teria alguma influência sobre Macchi.
O outro momento de clímax ocorreu quando um dos rapazes feridos à bala nos confrontos com a polícia pela defesa do Senado na sexta-feira foi levado em uma improvisada maca por cima da cabeça dos senadores para tocar a mão do novo presidente. Após a posse, Macchi foi ao palácio López, a sede de governo, que estava rodeada por mais de 50 mil pessoas que se aglomeravam nas ruas vizinhas, para poder ver o novo presidente do país.

mockup