Pela primeira vez desde 1848 uma mulher é executada numa cadeira elétrica na Flórida. Judy Buenoa¤o, de 54 anos, conhecida como ‘‘viúva negra’’, foi executada ontem de manhã na prisão de Stark (Flórida), às 7h13. Classificada como uma criminosa fria e calculista, ela foi condenada à cadeira elétrica por ter matado afogado o seu filho, seu marido e também teria tentado assassinar um outro companheiro. O filho, de 19 anos, inválido, foi jogado por ela de uma canoa com 23 quilos de aparelhos metálicos preso às pernas; o marido foi envenenado com arsênico e ela colocou explosivo no carro de seu companheiro, mas ele sobreviveu e denunciou Buenoa¤o à polícia.
Todos os crimes que a ‘‘viúva negra’’ cometia tinham um único objetivo: receber o seguro de vida. Do marido, assassinado em 1971, logo depois de chegado da Guerra do Vietnã, ela recebeu uma apólice de 85 mil dólares; do filho, morto em 1980, Buenoa¤o recebeu 125 mil dólares. Em 1983, ela colocou explosivos no carro de seu então parceiro John Gentry, mas ele sobreviveu. Ele a denunciou. Durante as investigações foram encontradas ‘‘vitaminas’’ com arsênico que a ‘‘viúva negra’’ havia preparado para Gentry. Foi quando a polícia apurou todo histórico de mortes praticado por ela. Em 1985 ela foi condenada à morte num tribunal federal e ontem foi levada à cadeira elétrica. No domingo, Judy Buenoa¤o ainda fez uma última apelação alegando que precisa de mais tempo para revisar seu processo, mas a Suprema Corte da Flórida não aceitou a alegação. Apesar dos protestos de líderes religiosos e de entidades de defesa dos direitos humanos, a Flórida voltou a executar condenados na cadeira elétrica, depois de manter esse método suspenso por um ano. É que no dia 25 de março do ano passado, durante a execução de Pedro Medina, saiu fogo e fumaça da máscara que estava no rosto dele. A cena horrorizou advogados e outras pessoas que assistiam à execução. Indiferente aos protestos, quatro condenados tiveram as mortes anunciadas com intervalo de 24 horas. Três já foram executados: Gerald Stano, de 46 anos; Leo Jones, de 47 anos; e Judy Buenoa¤o, de 54 anos. Para hoje está marcada a execução de Daniel Remeta, de 40 anos. Com Remeta chega a 43 o número de mortos na Flórida, desde 1976, quando foi restabelecida a pena de morte.

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