Londres- Janice Kelly, a viúva de David Kelly, que teria se suicidado no dia 17 de julho, descreveu ontem o ''pesadelo'' de seu marido em seus últimos dias de vida, que se sentiu ''traído'' pelo Ministério britânico de Defesa no caso do informe sobre o armamento iraquiano.
O nome de Kelly foi publicado nos jornais no dia 10 de julho, uma semana antes de seu suicídio. O cientista era apresentado como a fonte de um jornalista da BBC, que havia acusado o governo do primeiro-ministro britânico Tony Blair de ter ''exagerado'' o informe sobre o armamento iraquiano para tentar justificar a guerra contra o regime de Saddam Hussein.
Durante seu depoimento de mais de duas horas e meia por videoconferência na investigação sobre as circunstâncias da morte de seu marido, a viúva do cientista descreveu a incrível pressão sofrida pelo casal nos últimos dez dias, antes de 17 de julho.
Janice Kelly, 58 anos, explicou que seu marido sofreu uma forte depressão ao descobrir seu nome e sua fotografia em vários jornais. ''Ficou arrasado'', destacou. ''Disse várias vezes, no café da manhã, almoçando ou na hora do chá, que se sentia completamente abandonado e traído''. Em 17 de julho, dia de sua morte, ''parecia cansado e enfraquecido''.
O cientista saiu de tarde para seu habitual passeio nos bosques próximos de sua casa e foi encontrado morto no dia seguinte, com as veias do pulso esquerdo cortadas.
Este depoimento compromete o Ministério de Defesa porque o ministro Geoff Hoon já está no banco dos réus por ter divulgado o nome de Kelly à imprensa.
A morte do cientista desencadeou uma verdadeira tormenta política na Grã-Bretanha, onde a opinião pública acredita em sua grande maioria ter sido enganada por Tony Blair sobre as razões da guerra no Iraque.

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