Vitória da oposição em 99 não deve mudar política econômica
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domingo, 09 de novembro de 1997
AE-Reuters 
O nome de Graciela é um dos mais cotados para participar da corrida presidencial pela Aliança Opositora. Embora prefira desconversar sobre essa possibilidade, ela admite estar se preparando e estudando para o cargo, caso seja escolhida candidata da oposição. Um dos pontos acertados na coalizão é que tanto a Frepaso como a UCR poderão indicar o seu candidato.
Se a oposição vencer as próximas eleições presidenciais argentinas, marcadas para 1999, a atual política econômica do presidente Menem não deve sofrer mudanças radicais que levem a comunidade financeira internacional ao estado de pânico. Há quatro medidas que foram tomadas e que temos de mantê-las: a conversibilidade, a abertura de mercados, as privatizações e a política fiscal do país, afirma Graciela.
Isso não significa, entretanto, que não haverá alguns ajustes, acrescenta a senadora. Foi esse compromisso de não alterar quatro pontos da política econômica de Menem que atraiu para Graciela a simpatia dos descontentes com o governo. Realista, ela descarta a possibilidade de alterações na política cambial e faz a seguinte avaliação: Psicologicamente, isso seria um desastre.
Em relação às grandes linhas da política econômica de Menem, a abertura econômica é um dos pontos que Graciela destaca como necessitando de correção. A abertura indiscriminada da economia destruiu a pequena e média empresa; o que discutimos é uma certa proteção a esses setores, sem que isso represente o fechamento do mercado, avalia.
Graciela descarta qualquer possibilidade de um eventual governo de oposição reestatizar as empresas privatizadas por Menem, mas critica especialmente a venda das companhias de telecomunicações, argumentando que o governo acabou criando um monopólio privado, sem antes definir uma entidade que pudesse controlar tarifas, a exemplo do que o Brasil fez ao criar a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Graciela não faz restrições à possibilidade de o Brasil ser o representante da América Latina no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Se não houver essa possibilidade, talvez possamos encontrar uma fórmula rotativa, também começando pelo Brasil, diz. Já em relação ao alinhamento da Argentina com os Estados Unidos, ela fez duras críticas ao relacionamento carnal entre os dois países. A Argentina não tem motivos para ter uma relação automaticamente alinhada com os EUA. Precisa sim de relações sérias, maduras e dignas de país a país, levando em conta, claro, a dimensão dos EUA. Até porque em relações carnais nunca se sabe quem as tem e quem não.(V.G.)


