ENCHENTES Vítimas sofrem no centro de Moçambique Enquanto grupos humanitários atendem flagelados no sul do país, cerca de 15 mil pessoas padecem sem água ou comida ao norte da capital France PresseSOBREVIVENTESoldados resgatam menino vítima da catástrofe na cidade de Xai Xai, ao norte da capital moçambicana, Maputo Associated Press De Maputo Mais de 15 mil pessoas no centro de Moçambique ficaram cercadas pelas águas das enchentes por mais de uma semana sem comida nem água limpa e suas condições são cada vez piores enquanto os esforços humanitários, alimentados por novas ajudas externas, se concentram nas vítimas do sul do país, informaram ontem funcionários de agências humanitárias. ‘‘Atualmente, há dois helicópteros operando na região. Estamos furiosos. Nosso povo diz que os helicópteros são poucos e trabalham sem foco e sem frequência’’, disse Roy Tivoli, um porta-voz da entidade britânica Save the Children (Salve as Crianças). Ele informou que também são necessários mais barcos na região, cerca de mil quilômetros ao norte da capital Maputo. Na semana passada, os helicópteros sul-africanos baseados em Maputo deveriam ser deslocados para o norte, mas no último momento o conselho de ministros moçambicano pediu a eles que continuassem trabalhando na província sulista de Gaza. Gaza é uma fortaleza eleitoral da Frelimo – partido governista –, enquanto a oposicionista Renamo conseguiu mais votos na região de Save nas eleições do ano passado. O governo estima a existência de cerca de 1 milhão de pessoas deslocadas pelas enchentes, que devastaram grandes extensões desta empobrecida nação do sudeste africano desde o início de fevereiro. Funcionários de agências humanitárias dizem que o número já deve estar na casa dos milhares. A Embaixada de Moçambique no Brasil está realizando uma campanha visando angariar ajuda para as vítimas das enchentes, informou ontem o segundo secretário da representação moçambicana em Brasília, Eugênio Come. Ele explicou que a campanha pôde começar efetivamente apenas ontem devido a problemas burocráticos, especialmente em relação à abertura de uma conta bancária. A embaixada informou que as doações devem ser feitas por meio de depósito na conta corrente da Embaixada de Moçambique no Banco do Brasil, conta 46021-4, agência 1608-x -Comércio Internacional. Segundo Come, as chuvas pararam de cair sobre o território moçambicano, mas muitas áreas destinadas à agricultura e à pecuária, principalmente na província sulista de Gaza, ainda estão submersas. Eugênio Come mantém contatos diários com autoridades moçambicanas que cuidam da situação no país e disse à AE que já começam a ser registrados os primeiros casos de doenças relacionadas às enchentes, como malária e cólera. Serão aceitas doações de alimentos não perecíveis, roupas e material escolar. Os interessados podem ligar para os telefones 0xx11 493-7111, 3783-0638, 5063-1500, 6440-7584 e 3908-8390. Segundo Davambe, haverá galpões localizados no bairro paulistano do Ipiranga e nas cidades de Guarulhos e Cotia, na Grande São Paulo, para receber as doações. Todas as doações serão enviadas a partir da capital paulista para Maputo. Pessoas de outras partes do Brasil podem entrar em contato com a Embaixada de Moçambique na capital federal pelo telefone 0xx61 248-5319.

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