Vítimas de maremoto passam de 3 mil
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segunda-feira, 20 de julho de 1998
Sarah Stewart France Presse 
Mais de 3.000 pessoas podem ter morrido no maremoto ocorrido na costa norte de Papua-Nova Guiné sexta-feira, informaram as autoridades ontem, enquanto continuam as operações de resgate.
Três aviões australianos trazendo material médico e alimentos chegaram ontem a Port Moresby, capital de Papua-Nova Guiné, para ajudar as vítimas do desastre.
Os três Hércules C-130 se dirigiram imediatamente à província devastada de Sepik ocidental, onde os soldados e os voluntários continuam retirando da lagoa centenas de cadáveres.
Cerca de 60 médicos e enfermeiros instalarão no local um hospital de campanha. No entanto, teme-se que os aviões não possam aterrissar porque a única pista da região, em Vanimo, não é suficientemente longa.
Segundo o governador da província de Sepik ocidental, John Tekwie, o número de mortos no maremoto pode chegar a 3.000. Tekwie disse à AFP em Vanimo, perto da zona mais afetada, que considerava esse balanço uma estimativa baixa, dado o número de corpos retirados do mar e as poucas pessoas que conseguiram se refugiar no interior.
De acordo com as testemunhas, ondas de 10 metros provocadas por dois violentos terremotos no fundo do mar, perto de Papua-Nova Guiné, arrebentaram 30 km da costa acompanhados por um rugido comparável ao de vários esquadrões de bombardeiros. O maremoto cobriu sete localidades e destruiu as casas de pelos menos 6.000 pessoas.
O governador disse que somente 500 pessoas conseguiram se esconder nas colinas, contrariamente ao que se acreditava no início.
Somente se vê cadáveres. O cheiro dos corpos em decomposição é fortíssimo. É uma catástrofe terrível, disse o governador. A maioria dos corpos resgatados é de crianças e bebês que estavam dormindo quando a tsunami arrastou suas casas, em geral, cabanas nas praias. Partes de casas, barcos, escolas e igrejas foram arrastados por mais de dois quilômetros pela água.
Os mortos são enterrados no local devido ao intenso calor e aos animais de rapina.
Ontem, quatro helicópteros trabalharam sem parar transportando feridos para os três hospitais da região. Apesar de os meios serem limitados, até o momento os hospitais conseguiram atender todas as vítimas.
Mas a tragédia pode ser ainda maior se forem confirmados os temores de que outras tsunamis - nome pelo qual essas ondas são conhecidas - podem voltar a atingir a região, informaram as equipes de resgate.
Uma característica desse fenômeno é que um é sempre seguido de outro, quase idêntico, no prazo de dias ou semanas, advertiu o especialista Kevin McCue, da Organização Australiana de Investigações Geológicas.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, expressou seu pesar pela tragédia e disse que a entidade irá organizar a necessária operação de ajuda internacional.
A mobilização para o socorro das vítimas atinge, também, outros países que estão se apressando no sentido de enviar material médico, pessoal habilitado, além de roupas e mantimentos. As dificuldades para o acesso à região, mais até do que o temor de outros maremotos, prejudicam não só os esforços das equipes de socorro mas impossilitam a realização de um balanço completo da tragédia.


