Santiago Alguns dos desaparecidos no Chile, durante a ditadura do general Augusto Pinochet, foram lançados de helicóptero nas montanhas da Cordilheira dos Andes, anunciaram ontem o deputado Antonio Leal e o advogado Hiram Villagra.
Eles contaram que a confirmação dessa informação foi dada por dois ex-militares que não identificaram, pertencentes ao Comando da Aviação, e que vão comparecer nos próximos dias ante o juiz Juan Guzmán Tapia, que investiga os casos de pelo menos 400 desaparecidos políticos lançados ao mar.
Segundo o parlamentar, membro do Partido pela Democracia (PPD), no poder, no mesmo dia do golpe liderado por Pinochet, no dia 11 de setembro de 1973, pelo menos dois integrantes da guarda pessoal do presidente socialista morto, Salvador Allende, foram atirados de um helicóptero nas encostas da cordilheira, que demarca a fronteira entre Chile e Argentina.
''Isto comprova que não tenha sido esta uma atividade realizada por um oficial menor, por conta própria. Demonstra que houve um planejamento desde o começo'', anunciou o advogado Villagra, em alusão a recentes declarações de Pinochet.
Em entrevista à TV, divulgada em Miami, Estados Unidos, no último dia 24, o ex-ditador, de 88 anos de idade, admitiu que houve ''excessos'' durante o seu regime, mas os atribuiu a ''pessoas que não se controlam'', ao referir-se a militares subalternos que ''ficam calados depois''.
O juiz Guzmán Tapia, que tentou sem êxito julgar Pinochet, solicitou o vídeo da entrevista divulgada pelo canal 22 de Miami, adquirido por uma rede de TV de Santiago para ser transmitido em breve.
''Pedimos ao juiz que examinasse o vídeo com a entrevista, para demonstrar que Pinochet não está louco nem sofre de nenhuma perturbação mental'', disse à AFP o advogado Eduardo Contreras, que estimula a possível abertura de um novo processo contra o ex-ditador.
O magistrado manteve Pinochet sob detenção durante seis semanas, entre fevereiro e março de 2001, quando foi acusado por assassinatos e sequestros de alguns dos mais de 3 mil mortos e desaparecidos, entre 1973 e 1990.
Mas a Corte Suprema o liberou das acusações em julho de 2002, com base nos exames médicos segundo os quais Pinochet sofreria de uma demência moderada que o impedia de defender-se ante os tribunais.

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