Visita remexe em feridas da população
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sexta-feira, 27 de maio de 2016
Folhapress 
São Paulo - Horas antes da visita do presidente Barack Obama a Hiroshima, a sobrevivente da bomba atômica Kinuyo Ikegami, de 82 anos, prestou suas homenagens no memorial da tragédia de 6 de agosto de 1945. "Eu podia ouvir as crianças da escola gritarem: 'Me ajude! Me ajude!'", disse ela, entre lágrimas. "Foi lamentável, muito horrível. Até agora, me enche de emoção."
Obama cumprimentou alguns dos sobreviventes do bombardeio de Hiroshima após sua fala, em que defendeu a necessidade de resolver conflitos pela diplomacia e a perseguição de um mundo sem armas nucleares. Como era esperado, o americano não se desculpou pelos bombardeios atômicos no Japão nem se questionou sobre a opção americana pelo uso da arma nuclear.
Para o sobrevivente da bomba Eiji Hattori, de 73 anos, no entanto, a fala de Obama pode ser entendida como um pedido de desculpas. "Me sinto diferente agora. Não achei que ele iria tão longe e falaria tanto. Sinto como se tivesse sido salvo de algum jeito. Para mim, foi mais que suficiente", disse. Os pais e avós de Hattori, que vendiam arroz perto de onde a bomba caiu, morreram naquele dia ou em seguida. Hattori tem, hoje, três tipos de câncer.
Takeo Sugiyama, de 85 anos, também se disse tocado pela fala do americano. "Espero que ele faça o máximo pela paz mundial até o final de seu mandato. Essa ação, sozinha, pode provar que ele pensa o que ele disse hoje", disse o sobrevivente, que perdeu a irmã mais nova no bombardeio de 1945.
Já Miki Tsukishita, de 75, queria ter ouvido mais de Obama. "Temo que não ouvi nada concreto sobre como ele planeja alcançar a abolição das armas nucleares. Sobreviventes da bomba, como eu, estão ficando velhos. Apenas festejar sua visita não é suficiente."


