A visita do papa João Paulo II deve proporcionar um segundo alívio à igreja cubana, que atende a um país esgotado pela penúria econômica e exposto a uma profunda crise moral.
Seis mil voluntários da organização humanitária católica Caritas, tentam aliviar as carências materiais dos cubanos.
Caritas foi autorizada a operar na ilha apenas em 1991, quando Cuba começava a sentir os efeitos de uma espantosa crise econômica, provocada pelo desaparecimento do campo socialista europeu, que a tinha subvencionado.
Em 1996, Caritas pode entregar ajuda humanitária a Cuba de quase 30 milhões de dólares.
Por outra parte, grupos de militantes católicos começaram a remendar uma sociedade cubana enfraquecida pelo desgaste dos ideais revolucionários.
O Centro de Formação Cívica de Pinar del Río (oeste), dirigido por laicos mas com autorização de seu bispo, dom José Siro González, se transformou numa experiência-piloto desta empresa de ‘‘reconstrução de uma sociedade civil’’.
‘‘En 38 anos de socialismo, nós cubanos sofremos uma profunda crise de despersonalização’’, explicou Dagoberto Valdés, diretor desse Centro que propõem 15 ciclos de formação, cujas temas abrangem desde a vida em família até a moral cívica, passando pela doutrina social da igreja, com o propósito de preparar os cubanos para ‘‘enfrentar a partir de agora os desafios do futuro’’.
A ação da igreja continua sendo guiada por uma carta pastoral de setembro de 1993 que provocou a ira do regime castrista por sua atitude sem complacência sobre a sociedade cubana. Esse documento não perdeu vigência, mas os católicos suavizaram a expressão de suas posições para permitir uma aproximação com o governo.
A partir de então, as autoridades precisaram reconhecer em grande medida que o diagnóstico era justo, ainda que, evidentemente, não chegaram até o ponto de compartilhar as opiniões da igreja.

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